Notas Internacionais

por Ana Prestes

15 de maio de 2019, 10h40

Em meio a protestos por cortes na educação, Bolsonaro viaja para os EUA

Ana Prestes diz que as principais agendas do presidente devem ser o encontro com George W. Bush e o evento em que receberá de empresários o título de “homem do ano”

– Bolsonaro chega nesta quarta-feira (15) a Dallas, no Texas, EUA. Enquanto ele estiver cumprindo uma agenda pífia em solo americano, no Brasil estarão ocorrendo grandes manifestações de amplos setores vinculados à educação contra os anunciados cortes no orçamento educacional. As principais agendas de Bolsonaro devem ser o encontro com o ex-presidente Bush e o evento em que receberá de empresários o título de “homem do ano”. Quando o presidente voltar, na sexta-feira (17), será a vez do vice-presidente Mourão embarcar para Líbano, China e Itália. Há muita expectativa sobre a ida de Mourão à China.

– Matéria da FSP desta terça (14) noticia que houve uma reunião em Brasília entre representantes do governo de Israel e do governo brasileiro e que foi solicitado ao Brasil apoio aos EUA e Israel na crescente tensão contra o Irã no Oriente Médio.

– O governo da Arábia Saudita afirmou na terça (14) que duas estações de bombeamento de petróleo próximas a Riad foram atacadas por drones com explosivos. O ataque foi reivindicado pelos rebeldes houthis, do vizinho Iêmen, como parte das “respostas ao crime” e ao “bloqueio da Arábia Saudita” contra o país. Os houthis são apoiados
pelo Irã contra o governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, em uma guerra que dura desde 2015. Um dia antes (13) também haviam relatos de ataques a petroleiros, na sequência de outros incidentes com quatro navios-tanque dos Emirados Árabes Unidos e um petroleiro norueguês durante o final de semana, todos no estreito de Ormuz. Pelo estreito de Ormuz, margeado pelas costas do Irã e dos Emirados Árabes passam todos os dias cerca de 20% de toda a produção mundial de petróleo e um terço da produção de gás natural, relata João Paulo Charleaux, no Nexo Jornal. Foi para esta região de Ormuz que os EUA deslocaram uma frota de navios de guerra na semana passada. A região é palco de uma crescente tensão entre EUA e Irã. O governo iraniano nega envolvimento nos incidentes e acusa os EUA de promoverem sabotagens como parte de uma conspiração para iniciar um conflito armado no Golfo Pérsico. Foi noticiado recentemente que o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, tem um pedido para enviar 120 mil militares americanos para o Oriente Médio, número semelhante ao que foi usado na invasão do Iraque em 2003.

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– Especialistas em energia dizem que as tensões geopolíticas na região do Golfo Pérsico podem levar o preço do barril de petróleo para mais de 100 dólares.

– O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visitou na terça (14) o presidente russo Vladimir Putin em sua residência de verão no Mar Negro. A tentativa de ambas as partes é superar o tenso período
de investigações do procurador americano Robert Mueller sobre a suposta interferência russa no processo eleitoral norte-americano de 2016. Em seu relatório, Mueller, deu como concluído não ter havido participação russa no processo. O encontro serviu para deixar claras as divergências dos dois países em relação ao Irã, à Síria, à Ucrânia e à Venezuela, além dos avisos de parte a parte. Pompeo atacou a política russa para a Ucrânia e Lavrov delimitou como intoleráveis as ameaças americanas à Venezuela. O encontro se dá em um momento de alta tensão com o Irã.

– Situação continua tensa no Sudão. Desde o dia 11 de abril o exército governa o país, após ter imposto a retirada do presidente Omar Al-Bashir, que estava há 30 anos no poder. Na última segunda (13) houve protestos em frente ao QG do Exército, que resultaram em pelo menos sete mortes. Na terça (14) o Exército anunciou um acordo com os manifestantes, organizados na Aliança pela Liberdade e Mudança (ALC), para o estabelecimento de um período de transição de três anos e a composição de um Conselho Soberano até o final desta semana. Também será eleita uma nova assembleia legislativa.

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– Theresa May já foi derrotada três vezes no parlamento britânico com seus planos para o Brexit. Mas tentará pela quarta vez uma proposta na primeira semana de junho. O anúncio foi feito após uma reunião de May com o líder trabalhista J. Corbyn. O período escolhido coincidirá com uma visita de Trump ao Reino Unido. O governo britânico
tem a esperança de aprovar o Brexit no parlamento antes do recesso parlamentar de verão.

– A chancelaria norte-coreana disse na terça (14) que os EUA apreenderam um navio de carga do país e que esse foi um ato ilegal que afronta o espírito da cúpula de Singapura entre os chefes de Estado dos dois países. Os americanos alegam ter apreendido a embarcação por essa conter carvão, embargado pelas sanções impostas à Coreia. A apreensão veio poucos dias depois de Pyongyang disparar testes com mísseis de curto alcance. Trump volta com uma postura agressiva contra a península.

– Nos EUA, cresceu a tensão em torno da embaixada da Venezuela em Washington. Há semanas grupos de manifestantes chavistas fazem “guarda” da embaixada e na terça (14) houve, por parte de forças de segurança americanas, uma ocupação do local, inclusive dentro da casa diplomática. Já em Caracas, na Venezuela, houve um cerco da guarda nacional à Assembleia Nacional, onde se reúnem os parlamentares opositores, com a alegação de ter havido ameaças de bomba no local. Houve ainda, nos últimos dias, uma invasão das águas territoriais venezuelanas pela embarcação americana “USCG James”, que se aproximou do porto La Guaíra, no estado de Vargas.

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– Os coletes amarelos da França invadiram na terça (14) a cerimônia dos Molières, maior premiação do teatro francês. O objetivo era denunciar os cortes do governo no orçamento da cultura.

– Na Bolívia, começa no próximo dia 18 de maio o período de campanha eleitoral. Eleições serão em outubro.

– Esta quarta, 15 de maio, é um dia importante para os palestinos. Levando o nome de Al Nakba (A catástrofe) a data é relembrada anualmente devido ao dia 14 de maio de 1948, que marcou o início de uma série de expulsões, tomada de territórios e ataques contra palestinos, com a criação do Estado de Israel. Só nos últimos 10 anos, com Netanyahu no poder israelense, foram construídas mais de 20 mil casas em território palestino na Cisjordânia.

– CGT argentina tem marcada para o dia 29 de maio uma Greve Geral contra as políticas de Macri.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.