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20 de Maio de 2016, 13h56

Em Roma, brasileiros também dizem não ao golpe

Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade. Ex-ministro do Desenvolvimento Social da Itália manda recado: “Nós estamos com vocês, então, por favor, não se desmoralizem, não se dispersem, porque, como alguém disse em espanhol, a única luta que se perde é aquela que […]

Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade. Ex-ministro do Desenvolvimento Social da Itália manda recado: “Nós estamos com vocês, então, por favor, não se desmoralizem, não se dispersem, porque, como alguém disse em espanhol, a única luta que se perde é aquela que se abandona”

Por Caroline Cavassa

Ao som de “Fora Temer” e “Não Vai ter Golpe”, um grupo de brasileiros residentes em Roma alertou parte da população da capital italiana sobre o golpe de estado em curso no Brasil no momento. Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade.

A manifestação contra o governo ilegítimo de Michel Temer teve significativa participação de jovens que, apesar de estarem longe de casa, estão completamente engajados na luta contra o golpe institucional e midiático que assola o país.

No ato realizado próximo à embaixada do Brasil, foi unânime entre os manifestantes que o impeachment da presidenta Dilma foi orquestrado pela direita neoliberal do Brasil, assim como pelo empresariado e, principalmente, pelo oligopólio midiático liderado pelas organizações Globo, com o aval do Supremo Tribunal Federal, obviamente.

A manifestação teve participação de integrantes do ex-Partido Comunista da Itália, entre eles o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Paolo Ferrero.

“Assim como nos anos setenta, com o exército, os oligopólios tentam evitar que as pessoas elejam presidentes progressistas e tentam colocar no poder a classe dominadora, que serve aos bancos, às multinacionais, aos latifundiários, sempre priorizando os interesses dos grandes poderes da América do Norte. É claro que o golpe no Brasil não acontece sem a bênção dos Estados Unidos, assim como não aconteceu sem a intervenção dos norte-americanos em outros países. É só pensarmos na Venezuela, no ataque contra a revolução bolivariana ou sobre o que aconteceu em Honduras ou, Paraguai, que é muito semelhante ao que está acontecendo no Brasil. Isso significa que os Estados Unidos, depois de alguns anos olhando o que estava acontecendo com os governos progressistas na América Latina, estão de volta”, afirmou o ex-ministro.

De acordo com Ferrero, os métodos utilizados hoje pelos EUA são outros. “Eles não apontam armas, mas colocam o monopólio da televisão privada e gestão da informação, colocam uma parte de políticos corruptos, mas o ponto é sempre o mesmo, impedir que a América Latina escolha o seu próprio caminho de emancipação, liberdade, progresso. Portanto, é para isso estamos aqui hoje, para alertar a população sobre a gravidade do que ocorre no Brasil. Somos poucos, porque um dos efeitos da crise e da derrota que a esquerda tem sofrido na Europa e, na Itália, é também a incapacidade de olharmos para além de nossas fronteiras de casa e da incapacidade de olharmos para outros países”, disse.

“Penso que o que acontece na América Latina, no Mediterrâneo e o que está a acontecer na Europa, no Afeganistão e, em outras partes do mundo, estão todas relacionadas, porque o imperialismo vence em quase todos os lugares. O passo a passo do imperialismo retoma o poder em todos os países, e, portanto, estamos aqui para mostrar a nossa solidariedade à presidenta legítima do Brasil, Dilma Rousseff, ao PT, ao Partido Comunista do Brasil e a todos os movimentos progressistas, como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e a todos que defendem a legalidade do Brasil.  Com o que temos ao nosso alcance, faremos uma grande campanha para impedir que esses golpes passem indiferentes pelo mundo, no silêncio, porque é isso que eles querem. Eles querem que não falemos nada e que deixemos o povo brasileiro sozinho. Portanto, repetimos: nós estamos com vocês, então, por favor, não se desmoralizem, não se dispersem, porque, como alguém disse em espanhol, a única luta que se perde é aquela que se abandona. Continuemos nesta batalha pela democracia”, afirmou o ex-ministro.