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26 de Janeiro de 2015, 13h28

Em silêncio, Marina Silva observa debandadas da sua Rede

Grupo de dissidentes já trabalha na articulação de um partido inspirado nas teses do partido-movimento.

Grupo de dissidentes já trabalha na articulação de um partido inspirado nas teses do partido-movimento

Por Marcelo Hailer

Sem dar entrevista desde dezembro, a ex-presidenciável Marina Silva (PSB), que durante o pleito de 2014 chegou a empatar com a candidata reeleita Dilma Rousseff (PT), acompanha em silêncio o seu grupo político se dissolver. Walter Feldman, que era o seu braço direito, deixou a vida política e parte da base social da Rede está empenhada na construção de outro partido.

A primeira aparição de Marina Silva deve acontecer nesta segunda-feira (26), em ato público, no Rio de Janeiro, pela legalização da Rede Sustentabilidade, partido que teve o seu registro negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no ano passado. O fato fez com que parte dos militantes se filiasse ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), inclusive a ex-senadora, que saiu, a princípio, candidata a vice de Eduardo Campos – morto em acidente de avião no primeiro turno – e posteriormente assumiu a cabeça da chapa socialista.

Durante o primeiro turno, a candidata chegou a empatar com Dilma Rousseff (PT). Porém, na última semana, o candidato tucano Aécio Neves (PSDB) virou o jogo e foi para o segundo turno. Embalada pelo discurso da “nova política”, Silva declarou apoio a Neves, o que derreteu o discurso da então candidata do PSB e rachou a Rede. Capitaneado por Celio Turino, um grupo divulgou manifesto e deixava a Rede, pois não podia compactuar com o apoio ao PSDB.

Avante!

No dia 17 de janeiro, o grupo de dissidentes da Rede realizou um evento para discutir a formação de um novo grupo político. Durante o encontro, Celio Turino, um dos idealistas da construção de uma nova força política, declarou que, passadas as eleições, “ficou provado que a disputa era entre o Itaú e o Bradesco e não entre candidatos e partidos políticos”.

Quem também marcou presença no encontro foi a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que, ao discursar, declarou que é urgente “criar novas formas de fazer política”. Erundina afirmou também que não adianta centrar esforços na reforma política, pois, de acordo com a deputada, “não adianta reformar um tecido que está podre e que é necessário criar espaços de fazer política para além do institucional”.

O nome provisório do partido é Avante!. Celio Turino e Luiza Erundina estão à frente da articulação nacional, que deve ganhar novos apoiadores no decorrer do ano. A missão agora é conseguir as 500 mil assinaturas necessárias para formalizar o partido no TSE. A legenda deve atrair figuras do PSB, PT e PSOL, pois a lei brasileira permite a migração para uma recém criada, sem que o parlamentar perca o mandato.

 O capital político de Marina Silva derreteu?

Ainda é muito cedo para dizer se o capital político de Marina Silva derreteu ou não. O seu partido, a Rede, que deve ser formalizar nos próximos meses, deve atrair uma gama de parlamentares e figuras que a apoiaram durante as eleições. A partir disso, será necessário observar a maneira como a Rede vai funcionar enquanto partido formalizado, quem vai aderir ao projeto e qual campo político será o da Rede.

Para 2018, faltam quatro anos, muita água vai rolar. Porém, dos nomes deste último pleito, o de Marina Silva é de longe o que já sai em franco favoritismo, mas tudo vai depender também de como será o quarto mandato presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT), que, ao confirmarem os primeiros sinais emitidos, deve se pautar pela política do ajuste fiscal, que começa a ser rejeitada e derrotada nas urnas europeias.

Se o governo Dilma fracassar, o PT vem muito enfraquecido na próxima eleição presidencial e não há Lula que os salve (ou sim?) e, neste espectro, Marina Silva pode sair fortalecida, assim como a candidatura tucana (Alckmin?). Ou, quem sabe, um outro nome político consiga correr por fora e se destacar no pleito presidencial?