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25 de dezembro de 2017, 12h31

Empresas investigadas pela Lava Jato são contratadas sem licitação para fornecer refeições em presídios do Rio de Janeiro

Essa espécie de presente de Natal totalizou R$ 192,2 milhões e dispensou todos os agraciados de concorrerem a uma licitação

Essa espécie de presente de Natal totalizou R$ 192,2 milhões e dispensou todos os agraciados de concorrerem a uma licitação Da Redação* Das 13 empresas contratadas sem licitação para o fornecimento de refeições e lanches a presídios do Rio, dez são investigadas no estado ou em outros pontos do país por envolvimento com irregularidades no fornecimento de alimentação. O Diário Oficial Estado do RJ publicou, em sua edição de 20 de dezembro, decisão do secretário estadual de Administração Penitenciária (Seap), Erir Ribeiro da Costa Filho, contratando as empresas. Essa espécie de presente de Natal totalizou R$ 192,2 milhões e dispensou...

Essa espécie de presente de Natal totalizou R$ 192,2 milhões e dispensou todos os agraciados de concorrerem a uma licitação

Da Redação*

Das 13 empresas contratadas sem licitação para o fornecimento de refeições e lanches a presídios do Rio, dez são investigadas no estado ou em outros pontos do país por envolvimento com irregularidades no fornecimento de alimentação.

O Diário Oficial Estado do RJ publicou, em sua edição de 20 de dezembro, decisão do secretário estadual de Administração Penitenciária (Seap), Erir Ribeiro da Costa Filho, contratando as empresas.

Essa espécie de presente de Natal totalizou R$ 192,2 milhões e dispensou todos os agraciados de concorrerem a uma licitação.

Duas delas são investigadas pela força-tarefa da Lava Jato no RJ: a Masgovi Indústria Comércio e Serviços e a Cor e Sabor Distribuidora de Alimentos Ltda.

O Ministério Público estadual informou que irá investigar por qual motivos as empresas foram beneficiadas sem que houvesse concorrência. Em nota, a Seap explicou que “só vai se pronunciar quando for notificada”.

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A Masgovi ficou com o equivalente a dois lotes e receberá cerca de R$ 44,2 milhões. É a empresa com os maiores contratos, em valores, da Seap. Em março deste ano, a Polícia Federal fez buscas na sede da Masgovi em uma operação da Lava Jato no Rio de Janeiro.

O sócio da empresa Luiz Sessinando Monteiro foi levado, na ocasião, para ser interrogado pela PF. Ele é um dos suspeitos por pagar propina a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Os investigadores da Lava Jato afirmam que ele é um dos empresários que buscariam agilidade na liberação do dinheiro de um fundo do TCE-RJ a ser usado na quitação de dívidas da Seap com fornecedores de alimentos.

Há ainda uma auditoria aberta no TCE-RJ em que a empresa responde por superfaturamento do café da manhã dos presos do sistema penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. A investigação descobriu que os contribuintes pagaram duas vezes pelo pão: na compra da farinha e pelos pães prontos. Os prejuízos aos cofres públicos chegam a R$ 23 milhões.

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Outra beneficiada no despacho do secretário Erir Ribeiro da Costa Filho com a dispensa de licitação pela Seap é a Cor e Sabor Distribuidora de Alimentos. O contrato é de R$ 9,4 milhões. A Cor e Sabor é dirigida por Luiz Roberto de Menezes, irmão de Arthur César de Menezes, conhecido como Rei Arthur. Luiz Roberto foi chamado a prestar depoimento na Polícia Federal para explicar um suposto esquema de fraude no fornecimento de quentinhas a presos.

A sua empresa foi citada na delação do ex-conselheiro do TCE-RJ Jonas Lopes de Carvalho de integrar um grupo que praticaria fraudes nas licitações do sistema penitenciário. Até junho deste ano, a Cor e Sabor figurava numa lista de empresas que mantinham contratos e pagamentos em dia com o governo do RJ.

O G1 ainda não conseguiu contato com as empresas Masgovi e Cor e Sabor e com  os empresários citados.

*Com informações do G1

Foto: Reprodução TV Globo

 

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