14 de junho de 2018, 18h47

“Empresas não podem querer controlar a subjetividade”, diz Pedro Serrano sobre fake news

Jurista e professor de Direito Constitucional da PUC-SP comenta sobre o caso do terço do papa

Em entrevista ao jornalista Renato Rovai, no programa Fórum Onze e Meia, o jurista Pedro Serrano afirmou que o Facebook deveria no mínimo se retratar, ao notificar a Fórum por conta da matéria sobre o terço que o Papa Francisco abençoou e teria enviado a Lula. “Um serviço como o Facebook é um serviço de utilidade pública, mesmo que seja entendido como privado. Eles estão limitados por certos ditames constitucionais, ao menos no Brasil. Não pode censurar conteúdo sem motivo firme e determinado para isso”, sustentou.

A página da Fórum na plataforma recebeu um aviso de que teria seu alcance reduzido e até ser tirada do ar, por conta da matéria onde o assessor do Papa, Juan Grabois, afirmava que trazia o rosário do pontífice para o ex-presidente. A agência de checagem Lupa classificou o conteúdo como falso, se baseando em uma nota do Vatican News, que depois foi corrigida. O assessor do papa também publicou uma carta onde reafirma a informação.

“Alegar que uma notícia era fake e que depois se comprovou que não era, exige no mínimo retratação”, destacou Serrano. “É uma polêmica de natureza ideológica.” Para o professor, as agências de checagem deveriam, no mínimo, “garantir a pluralidade de opinião, constituindo uma comissão com pessoas ligadas à esquerda e outras ao mercado e à direita”.

Segundo Serrano, num sistema democrático e liberal, é necessário que circulem ambas as versões, afinal “as pessoas têm direito a pensar como querem” e a ler as informações que desejarem.

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