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10 de Maio de 2018, 19h06

Entidade aciona Globo na justiça por práticas discriminatórias

Ação da Unegro está ligada a escolha do elenco para a nova novela "Segundo Sol" que, apesar de se passar em Salvador, cidade cuja 85% da população é negra, conta com uma maioria de atores brancos

A União de Negros pela Igualdade (Unegro Brasl) ajuizou, nesta quinta-feira (5), uma ação civil pública contra a Rede Globo por práticas discriminatórias e racistas na escolha do elenco da nova novela da emissora, “Segundo Sol”.

A trama, que ainda nem estreou, tem sido alvo de críticas nas redes por contar com uma minoria de atores negros, sendo que a novela se passa em Salvador, cidade cuja 85% da população é negra.

“A prática racista, (…), na verdade, não atinge apenas aos baianos e às baianas. Antes, fere a toda uma população e porque não dizer à sociedade brasileira, haja vista que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD-IBGE, a população brasileira estimada no ano passado, 2017, era de 205 milhões e 500 mil habitantes, sendo que os negros representam hoje a maioria, ou seja, cinquenta e cinco por cento, muito embora esse percentual na Bahia seja mais elevado (quase 80%)”, diz a petição.

De acordo com a socióloga Ângela Guimarães, presidenta da Unegro, a ação, que é assinada pelo advogado Egberto Magno, pede na justiça que seja concedida liminar para obrigar a Globo a incorporar negros e negras nos próximos capítulos a serem gravados e que haja atores e atrizes negros em papéis protagonistas, sendo que, “se para implementar essas obrigações for necessária a readequação do roteiro, que sejam adotadas as medidas pela emissora”.

A ação pede ainda que, caso não cumpra eventual decisão judicial, a Globo seja multada em um milhão por dia, valor a ser revertido em inserções de publicidade de caráter educativo sobre a questão racial a serem exibidas nos intervalos da novela “Segundo Sol” e produzidas pela parte autora da ação.

A ação tramita na 2ª Vara Especial da Fazenda Pública, em Salvador.