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15 de junho de 2018, 16h21

Erica Malunguinho: O sistema que está aí é fruto da branquitude; é hora de alternar o poder

“O que está aí, com os anacronismos impostos, foi resultado desse poderio. Dessa lógica de poder. Por uma questão básica da democracia é fundamental que haja alternância e outras possibilidades de visão e de ação”, sustenta a ativista negra e trans

(Foto: Divulgação)
Ativista, negra, mulher, transexual e nordestina em São Paulo, Erica Malunguinho é idealizadora e gestora de um espaço de resistência em São Paulo, o centro cultural Aparelha Luzia. Localizado na Barra Funda, o nome faz uma referência aos “aparelhos” como eram chamados os espaços clandestinos na ditadura militar. Luzia é o nome do fóssil mais antigo já encontrado na América, datado em cerca de 13.000 anos, que tinha traços negros. Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, Erica conta a sua trajetória, desde sua vinda de Recife para São Paulo, “seus enfrentamentos constantes” e, agora, sua candidatura à deputada...

Ativista, negra, mulher, transexual e nordestina em São Paulo, Erica Malunguinho é idealizadora e gestora de um espaço de resistência em São Paulo, o centro cultural Aparelha Luzia. Localizado na Barra Funda, o nome faz uma referência aos “aparelhos” como eram chamados os espaços clandestinos na ditadura militar. Luzia é o nome do fóssil mais antigo já encontrado na América, datado em cerca de 13.000 anos, que tinha traços negros.

Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, Erica conta a sua trajetória, desde sua vinda de Recife para São Paulo, “seus enfrentamentos constantes” e, agora, sua candidatura à deputada estadual pelo PSOL. “São Paulo é uma cidade que, embora pareça muito diversa, é muito cruel com pessoas que estão fora de seu lugar de desejo da cidade”, afirma.

Erica também fala sobre a necessidade de alternar o poder, já que a população negra no Brasil hoje é sub-representada nos espaços da política institucional. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, por exemplo, dos atuais 94 parlamentares, somente quatro são negros, ou seja, o equivalente a 4,2% dos eleitos.

“O que está aí, com os anacronismos impostos, foi resultado desse poderio. Dessa lógica de poder. Por uma questão básica da democracia é fundamental que haja alternância e outras possibilidades de visão e de ação”, sustenta.

Erica explica que o sistema capitalista e patriarcal foi gerido pela branquitude. “Inclusive ninguém está dando conta mais disso. É um projeto auto-corrosivo, destrutivo, que corrói inclusive os próprios pertencentes à branquitude.”

A ativista explica que a branquitude não é o sujeito branco em si, mas um sistema de opressão: “Uma lógica, que garantiu que certos indivíduos e sujeitos tivessem privilégios, nesses lugares de sociabilidade. É um sistema que trabalha na lógica de exclusão e de morte de determinados corpos, que não pertencem a essa lógica”.

E esse sistema, segundo Erica, vai sendo difundido e praticado. “É o sistema que produz o indivíduo e o indivíduo que reproduz o sistema. Não sabemos onde começa um e onde começa outro. Isso vai fazendo com que as pessoas reproduzam inconscientemente, e às vezes conscientemente, a invisibilidade e a exclusão de certos corpos.”

Veja também: O discurso de Erica Malunguinho na Marcha do Orgulho Trans

Assista à entrevista

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