26 de outubro de 2018, 19h22

Especialista em eleições explica como virar votos de Bolsonaro para Haddad

Cientista político e um dos maiores especialistas em voto, Alberto Carlos Almeida, dá dicas de como convencer eleitores. Almeida é autor dos livros "A cabeça do brasileiro", "A cabeça do eleitor e "O voto do brasileiro" (editora Record)

A atriz Patrícia Pilar foi às ruas conversar com eleitores (Foto: Reprodução)

Por Alberto Carlos Almeida*

Para converter votos de Bolso para Haddad:

O meu objetivo é uma maior taxa de eficiência.
Obviamente há inúmeros caminhos para a persuasão.
O que aqui está é somente o caminho mais rápido de conversão, baseado em pesquisas.

Leia também: Artistas vão às ruas conversar com o povo e virar votos para Haddad

– não fazer: conversar com pessoas de grau superior completo
– fazer: buscar pessoas de escolaridade baixa

– não fazer: conversar com católicos
– fazer: tentar persuadir os evangélicos

– não fazer: conversar por meio de redes sociais
– fazer: conversar pessoalmente

– não fazer: tratar de assuntos identitários
– fazer: tratar de bem-estar econômico, saúde e educação

Ao tratar desses temas deve-se confrontar o que os candidatos vêm falando. P. ex., o Bolsonaro propõe ensino à distância, faculdade paga, etc. Os pobres não teriam acesso a isso. Os aliados de Bolsonaro querem a liberação e desregulamentação dos preços dos remédios. E por aí vai.

– não fazer: ignorar o tema da religião
– fazer: mostrar que a Bíblia defende a paz entre os homens, é um livro que prega a bondade, e Bolsonaro não faz isso

– não fazer: dizer que Bolsonaro é fascista, autoritário e que vai acabar com a democracia
– fazer: mostrar que ele é desequilibrado, um maluco, doido de pedra, que ele não transmite segurança e que não foi um bom militar nem um bom deputado, por isso dificilmente seria um bom presidente que é o que o Brasil precisa agora

– não fazer: autocrítica
– fazer: dizer que os políticos do PT se adaptam aos diferentes momentos da vida do país, que se erraram no passado saberão corrigir os erros no futuro, pois a prioridade deles é melhorar a vida dos pobres. Quem tem essa prioridade sabe corrigir o que fez de errado

– não fazer: ignorar o tema da segurança pública
– fazer: mostrar que a segurança só vai aumentar quando a polícia for totalmente cofiável, mostrar que a polícia persegue quem é pobre e é corrupta. Somente uma polícia que não seja tão corrupta quanto essa que está aí poderá combater a violência. A maior parte da população acha a polícia corrupta e tem medo dela

– não fazer: tomar a iniciativa de tratar do tema da corrupção
– fazer: só tratar o tema da corrupção se ele for abordado por seu interlocutor. Deixar esse tema para o final do diálogo. Último tema, de preferência. Se der para evitá-lo, melhor. Colocar dúvidas sobre Bolsonaro: a passagem Bíblica “dize-me com quem tu andas e direi que és” é útil, Bolsonaro está cercado de corruptos. Além disso, seu patrimônio e de seus filhos só fez aumentar, e eles só vivem da política já faz 30 anos. Coisa boa aí não tem. Ele está sendo falso, se comportando como os fariseus da Bíblia.

Quanto mais itens desse roteiro forem utilizados, mais rápida e útil será a conversão de votos.

*Publicado originalmente em sua página no Facebook.