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10 de Março de 2014, 13h15

Esquerda vence em El Salvador, mas TSE só anuncia resultado nesta segunda

Salvador Sánchez Cerén derrotou Norman Quijano por 0,2 ponto percentual em pleito presidencial deste domingo

Salvador Sánchez Cerén derrotou Norman Quijano por 0,2 ponto percentual em pleito presidencial deste domingo

Por Giorgio Trucchi, do Opera Mundi

Em uma disputa acirrada, o candidato governista Salvador Sánchez Cerén, da FMLN (Frente Farabundo Martí Para Libertação Nacional), venceu o segundo turno da eleição presidencial em El Salvador com 50,11% dos votos. Após mais de 99% das urnas terem sido processadas, a diferença entre Sánchez Cerén e o oposicionista Normán Quijano, da Arena (Aliança Republicana Nacionalista), ficou em pouco mais de 5 mil votos.

Devido à pequena vantagem da FMLN, o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) pediu que nenhum partido se declarasse vencedor até o seu pronunciamento oficial, que ocorreu nesta segunda-feira (10/03). As duas chapas, porém, se consideraram vitoriosas, sendo que a Arena pediu recontagem dos votos e que os observadores internacionais denunciem eventuais fraudes.

Falando a apoiadores, Sánchez Cerén pediu que o povo salvadorenho ajude a garantir “que a vontade expressada no segundo turno seja respeitada”. Segundo ele, “ao finalizar a campanha e com essa tendência, vamos fazer valer a vitória, a vitória do povo”. O candidato ainda fez um apelo à paz: “amanhã nasce uma nova época da busca da felicidade de todos os salvadorenhos. E em nossos corações não há ódio”, continuou. “Digo à oposição: respeitem a vontade do povo salvadorenho. Podemos trabalhar juntos para levar adiante El Salvador”.

“Aos que incitam a violência lhes digo que se equivocam porque o povo decidiu”, disse. Frente à estreira margem de diferença, Sánchez Cerén afirmou que “o povo nos mandou uma grande mensagem, precisamos buscar o entendimento com todos os setores” e prometeu “seguir com as mudanças iniciadas pelo presidente Mauricio Funes”.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou em sua conta no Twitter que havia telefonadopara felicitar o candidato da FMLN.

O TSE se pronunciou no final da noite em El Salvador e garantiu que o processo eleitoral foi “legal, transparente e seguro”. Foi “uma eleição apertada, mas com resultados claros e vão a escrutínio amanhã [hoje]”. afirmou o presidente do órgão, Eugenio Chicas. Além disso, ele informou que iria se reunir com ambos os partidos para explicar o processo.

A esquerdista FMLN disse que “o povo salvadorenho lutou e derrotou uma vez mais a sombra do medo que quis roubar sua esperança”. O atual presidente, Mauricio Funes, foi eleito em 2009 para um mandato de cinco anos, que colocou fim a décadas de governos da direita no país.

O ex-prefeito de San Salvador e candidato da Arena, Norman Quijano, rejeitou os resultados preliminares e se declarou vencedor da eleição, fazendo um chamado às Forças Armadas salvadorenhas para que acompanhem a contagem dos votos. “Exigimos que o TSE entregue os resultados da recontagem hoje!”, exclamou em frente a simpatizantes na capital.

Quijano desqualificou o TSE, chamando o organismo de “corrupto” e “vendido para os chavistas”, em referência ao atual governo venezuelano. “Em El Salvador não vamos permitir que aconteça uma fraude como a de [Nicolás] Maduro na Venezuela”, afirmou, mencionando as eleições presidenciais de abril de 2013 no país sul-americano, quando o líder venezuelano venceu Henrique Capriles com 1,5% de diferença.

Logo após o pronunciamento de Quijano, os observadores internacionais que acompanharam o andamento do segundo turno da eleição presidencial salvadorenha pediram calma. “Não se pode manchar uma jornada pacífica”, afirmou Alejando Tulio em coletiva de imprensa.

 

*Foto: Fundação SHARE El Salvador