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14 de dezembro de 2017, 17h31

Estados Unidos acabam com a neutralidade da rede e agora internet será uma grande “TV a cabo”

Decisão desta quinta-feira (14) faz com que a internet deixe de ser considerado um serviço de utilidade pública, atendendo aos interesses das empresas de telecomunicações. Fim da neutralidade permite que as operadoras limitem o conteúdo e os serviços da internet de acordo com o pacote comprado, como um “pacote de canais” das TVs por assinatura Por Redação Os Estados Unidos colocaram fim, nesta quinta-feira (14), ao conceito de neutralidade da rede – o que garantia, de certa maneira, que pobres e ricos pudessem ter acesso irrestrito aos mesmos tipos de conteúdo e serviços na internet. A decisão foi imposta pela...

Decisão desta quinta-feira (14) faz com que a internet deixe de ser considerado um serviço de utilidade pública, atendendo aos interesses das empresas de telecomunicações. Fim da neutralidade permite que as operadoras limitem o conteúdo e os serviços da internet de acordo com o pacote comprado, como um “pacote de canais” das TVs por assinatura

Por Redação

Os Estados Unidos colocaram fim, nesta quinta-feira (14), ao conceito de neutralidade da rede – o que garantia, de certa maneira, que pobres e ricos pudessem ter acesso irrestrito aos mesmos tipos de conteúdo e serviços na internet. A decisão foi imposta pela Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) que, por dois votos a um, decidiu deixar de classificar a internet como um serviço de utilidade pública.

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A mudança atende a uma velha demanda das empresas de telecomunicações – as chamadas teles – que, com o fim da neutralidade, poderão vender “pacotes” de acesso à rede que limitam o acesso a serviços e conteúdo.

A neutralidade da rede garantia que a interrupção ou limitação do acesso só pudesse ser feita por falta de pagamento ou quando o pacote de dados chega ao fim, mas sem bloquear nenhum tipo de conteúdo ou serviço. Agora, as empresas de telecomunicações poderão dividir a rede em faixas e permitir acessos a páginas ou serviços de acordo com o pacote comprado.

Por exemplo, se uma família de baixa renda só tem dinheiro para pagar um pacote básico, que inclui somente Facebook, Youtube e Whatsapp, essa será a sua “internet”. Isto é, não terá acesso a nenhuma outra página ou serviço que não esteja previsto no seu pacote. É o mesmo conceito dos pacotes de TV a cabo: quanto mais caro o pacote, mais canais disponíveis. Quanto mais barato, mais básico e menos canais.

Protestos contra a medida já estão marcados para ocorrer na capital Washington.

No Brasil, a neutralidade na rede é garantida pelo Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado pela ex-presidenta Dilma Rousseff em 2014.

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