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21 de outubro de 2014, 09h45

“Estamos tratando aqui de não deixar eles voltarem”, diz Dilma em ato em SP

Em clima de festa após bons resultados das pesquisas, a presidenta classificou o projeto de seu adversário como "política que olha para o país de forma irresponsável". "Não vamos deixar", disse, arrancando aplausos e gritos da plateia.

Em clima de festa após bons resultados das pesquisas, a presidenta classificou o projeto de seu adversário como “política que olha para o país de forma irresponsável”. “Não vamos deixar”, disse, arrancando aplausos e gritos da plateia Texto e foto por Anna Beatriz Anjos Na noite desta segunda-feira (21), artistas, intelectuais e políticos realizaram ato pró-Dilma Rousseff no teatro Tuca, em São Paulo. Embalada pela virada apontada mais cedo pelo Datafolha, a presidenta fez questão de marcar a diferença entre o seu projeto e o da candidatura tucana, representada por Aécio Neves. “Essa mania que eles têm de nos condenar, literalmente, sempre,...

Em clima de festa após bons resultados das pesquisas, a presidenta classificou o projeto de seu adversário como “política que olha para o país de forma irresponsável”. “Não vamos deixar”, disse, arrancando aplausos e gritos da plateia

Texto e foto por Anna Beatriz Anjos

Na noite desta segunda-feira (21), artistas, intelectuais e políticos realizaram ato pró-Dilma Rousseff no teatro Tuca, em São Paulo. Embalada pela virada apontada mais cedo pelo Datafolha, a presidenta fez questão de marcar a diferença entre o seu projeto e o da candidatura tucana, representada por Aécio Neves.

“Essa mania que eles têm de nos condenar, literalmente, sempre, como se tivessem esse poder. De dizer: ‘o Brasil é uma catástrofe, o Brasil não vai dar certo’. Não é para criar barreiras, é porque eles pensam o Brasil pequeno mesmo, sempre pensaram”, declarou a petista em um palco repleto de apoiadores, dentre eles o ex-presidente Lula; o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; a ministra da Cultura, Marta Suplicy, o ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, e o ex-ministro do governo FHC. Bresser Pereira.

Sem negar a polarização entre PT e PSDB, Dilma citou a política externa como ponto de divergência entre governos petistas e tucanos. “Se vocês tiverem a curiosidade de olhar o programa deles, verão que é a velha política de se atrelar gratuitamente aos países desenvolvidos, nunca afirmando o Brasil como uma potência, sempre entregando o Brasil. Querem voltar à Alca. São capazes de menosprezar o Mercosul e a América Latina, não olham a importância dos BRICs. É muito interessante o fato de que volta a mesma tônica de sempre”, afirmou.

O ápice do discurso ocorreu quando Dilma disse que o foco da atual disputa é impedir que o PSDB retome o poder. “Nós estamos tratando aqui de não deixar eles voltarem. Não deixar voltar uma política que olha para o país de forma irresponsável”, destacou a presidenta, aplaudida em pé pelas mais de 600 pessoas que lotavam o auditório.

Crise da água

Como já havia feito em seus últimos programas de TV e nos debates mais recentes, a petista trouxe à tona a crise hídrica que atinge o estado de São Paulo. “Acho que essa vai ser uma questão do fim dessa campanha”, colocou. Ela comparou o atual quadro ao racionamento de energia forçado pelo governo FHC entre 2001 e 2002. “Aqui em São Paulo, mais uma vez se mostram as consequências da visão que é contra o planejamento e que não tem responsabilidade com a questão pública do abastecimento fundamental para a população”, considerou. “Não há como confundir os fatos. A água é atribuição constitucional de estados e municípios, não da União.”

Dilma criticou, inclusive, a postura da imprensa tradicional em relação à falta d’água. “É a crônica de uma morte anunciada. Ninguém da imprensa hoje pode ficar surpreso que está faltando água em São Paulo. A situação de hoje é a mesma de um mês atrás. Há aí o mesmo problema do racionamento: a incapacidade de gestão, absolutamente às claras, de um grupo político que pretendo dirigir o país. Que pretende, porque não vamos deixar”, disse.

Clima de festa

O evento foi marcado, do começo ao fim, pela euforia de quem estava presente. No interior do teatro, símbolo de resistência à ditadura militar, mais de dez manifestos de apoio à presidenta foram entregues. Artistas e intelectuais, geógrafos, economistas, pesquisadores de cultura, além de profissionais e alunos da Unicamp, UFABC e Unifesp redigiram documentos declarando voto em Dilma.

Ao final dos discursos, a presidenta cumprimentou a multidão que a esperava do lado de fora do teatro. Ao som de “quem não pula é tucano”, Dilma acompanhou a militância, que gritava, aplaudia e balançava bandeiras vermelhas.

Do lado de fora do teatro, uma multidão apoiava Dilma (Foto: Repdoução/Facebook)

Do lado de fora do teatro, uma multidão apoiava Dilma (Foto: Reprooução/Facebook)

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