13 de março de 2018, 15h04

Estudante negro alega ter sido chamado de “pedinte” e agredido por vigilante em rodoviária de Santos

Foi convocado um ato de repúdio no local para a próxima quarta-feira. O vigia nega as agressões e diz que o rapaz realmente abordava as pessoas pedindo dinheiro

Ketinhoo mostra o braço machucado. Foto: Facebook

O estudante de Serviço Social da Unifesp, Cleverson Oliveira, conhecido como Ketinhoo, teria sido vítima de racismo, no último sábado (10), na rodoviária de Santos, ao ser confundido com um “pedinte”, de acordo com palavras do vigia do local.

De acordo com relatos do próprio estudante em sua conta no Facebook, ele chegou à rodoviária logo cedo e comprou passagem para Ribeirão Pires, para visitar a família. Como ainda havia tempo, foi até o banheiro e, ao sair, enquanto arrumava as suas coisas na mala, foi abordado pelo vigia, que mandou que ele se retirasse do local.

Ketinhoo conta que reagiu e quis saber o que estaria fazendo de errado. O vigia disse que ele não podia “pedir dinheiro e cigarros no local”. Neste ponto, ao perceber do que se tratava, o rapaz respondeu: “racista, não me subestime, quem você pensa que é para achar o que eu sou”.  Diante da frase, o vigia o agrediu com três golpes de cassetete.

O estudante perdeu o seu ônibus e fez um boletim de ocorrência no 1º DP de Santos.

Vigilante nega agressão

Procurada pela Fórum, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que administra a Rodoviária de Santos, disse que o vigilante envolvido na ocorrência, contratado por empresa terceirizada, nega a versão de Ketinhoo.

A prefeitura de Santos, responsável pelo Terminal Rodoviário, por sua vez, também nega a versão do jovem. Contatada pela reportagem, a prefeitura enviou a seguinte nota.

“Conforme consta em relatório de ocorrência da Companhia de Engenharia de Tráfego, no dia 10 de março de 2018, às 09h30, o vigilante Guilhermino presenciou um cidadão em frente ao banheiro masculino do Terminal Rodoviário de Santos abordando passageiros, pedindo dinheiro e cigarro. Ao se dirigir ao rapaz, o vigilante relata que o cidadão se levantou, exaltado, começou a falar em voz alta e a pôr o dedo no rosto do vigilante, alegando que teria sido alvo de racismo por conta da abordagem. No documento, Guilhermo diz que em nenhum momento proferiu palavras que catarerizassem injúria racial. Mas o rapaz seguiu com ofensas (“idiota, branquelo azedo”) e empurrou o profissional de Segurança. A Polícia Militar foi acionada e foi lavrado Boletim de Ocorrência no 1º DP de Santos. As câmeras no Terminal Rodoviário registram apenas as plataformas de embarque e não as áreas de banheiro. A vigilância do Terminal Rodoviário é de responsabilidade de empresa de segurança terceirizada”.

Manifestação de Repúdio

A postagem de Ketinhoo no Facebook viralizou rapidamente. Em função da repercussão do fato, foi convocado um ato através do Facebook para a próxima quarta-feira (14) na própria rodoviária, a partir das 16h, em defesa do estudante: “Contra a Violência Racista na Rodoviária de Santos”.