19 de dezembro de 2018, 09h24

Ex-candidata do partido de Bolsonaro se diz ameaçada por não rachar recursos de campanha

Ela afirma que está sendo ameaçada por dois assessores do futuro ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antônio

Marcelo Alvaro Antônio. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados/Agência Câmara

A professora aposentada Cleuzenir Barbosa e candidata derrotada a deputada estadual pelo PSL-MG, afirma que está sendo ameaçada por dois assessores do futuro ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antônio (foto). Os dois querem que ela devolva metade do fundo partidário a que ela teve direito.

“Recebi R$ 60 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha do partido. E os assessores do futuro ministro do Turismo queriam que eu transferisse R$ 30 mil para a conta de uma gráfica de Ipatinga [em Minas]. E sempre falavam em nome do Marcelo Álvaro”, disse.

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Ela diz que “quando se negou a devolver o dinheiro” passou a ser ameaçada e agora teme por sua integridade física. “Um deles chegou a tirar uma arma e colocar em cima da mesa durante uma reunião”, contou.

A professora aposentada prestou depoimento para o Ministério Público Eleitoral do Estado de MG (MP-MG) nesta terça (18). O promotor do MP-MG, Evandro Ventura, encaminhou o caso para o procurador da República em Minas Gerais, Angelo Giardini, “que é o responsável por casos como esse”, disse.

A ex-candidata também fez um boletim de ocorrência em sua cidade, Governador Valadares.

Segundo Cleuzenir, eles diziam que os recursos seriam para pagar material de campanha. “Mas já estava tudo comigo porque o partido mandou. E certamente não custaram mais do que R$ 5 mil”, afirma.

Marcelo Álvaro, que é deputado e será ministro do Turismo, é presidente do PSL em Minas, o partido do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Ele não retornou às ligações da coluna de Mônica Bergamo.

A assessoria de imprensa do PSL-MG disse que “o partido agiu dentro da forma da lei, sempre cumprindo a legislação eleitoral”.

O PSL-MG afirma ainda não ter “nada de concreto sobre os fatos” narrados pela ex-candidata e que ela se reuniu com Aguinaldo Diniz, vice-presidente do PSL-MG, “relatando fatos desconexos e sem materialidade”.

E que as provas solicitadas à aposentada nunca foram entregues.

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