#FÓRUMCAST
26 de junho de 2018, 21h28

Exclusivo: “O que ocorreu no Roda Viva não é exceção, é a regra”, diz Manuela D’Ávila

A pré-candidata à presidência foi interrompida frequentemente durante a sua entrevista no programa da TV Cultura; além das interrupções, o tom das perguntas e as provocações foram duramente criticados

A pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, falou com exclusividade à Fórum sobre a sua entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura. Exibido na noite desta segunda-feira (25), o programa foi duramente criticado tanto pela composição da bancada de entrevistadores, quanto pelo machismo e preconceito com que foi tratada.

Manuela foi interrompida sucessivamente pelos entrevistadores. Uma estatística do PCdoB contabilizou que ela fora cortada 62 vezes durante o programa. Já quando o pré-candidato Ciro Gomes foi entrevistado, ele teria sido interrompido oito vezes. Guilherme Boulos, 12.

Segundo Manuela, que é deputada estadual no Rio Grande do Sul, ela tem sofrido com frequência interrupções nas entrevistas que concede. “Há uma sensação muito forte entre as mulheres de que é sempre assim”, afirmou Manuela. “Parece que foi como se colocasse luz àquilo que nós vivemos todos os dias. Não é uma exceção, é a regra”, completou.

A prática de homens interromperem mulheres quando elas estão falando é comum, e tem até um nome: manterrupting. O termo vem do inglês, é uma junção de man (homem) e interrupting (interrupção).

Governo feminista

A pré-candidata também falou à Fórum como seria um governo feminista, caso seja eleita. “Gênero e raça têm que ter um papel central num projeto de desenvolvimento nacional. O Estado tem um papel estruturante no conjunto de políticas públicas, e é o que garante, numa sociedade machista como a nossa, a maior ou menor emancipação das mulheres”, sustentou. “É por isso que um Estado com medidas restritivas e de austeridade punem principalmente as mulheres.”

Manuela ainda completou: “Um governo feminista é aquele que consegue perceber essa condição de desigualdade que se materializa de várias formas, mas que é estruturada sobretudo a partir da relação com o mundo do trabalho e com o espaço público. Numa sociedade machista, as mulheres têm um tratamento diferente a partir de sua relação com o capital e com o mundo do trabalho, e a partir da ausência da visibilidade no espaço público”.

Assista à entrevista