12 de agosto de 2014, 17h44

Explicações de Aécio Neves sobre utilidade pública do aeroporto de Claudio não convencem

Candidato tucano diz que não há “constrangimento ético” em utilizar pista de pouso que está fechada à população

Candidato tucano diz que não há “constrangimento ético” em utilizar pista de pouso que está fechada à população

Por Marcelo Hailer

O candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves (MG), abriu ontem (11) a série de entrevistas do Jornal Nacional (JN) com os presidenciáveis. Entre os vários pontos abordados, o que mais causou tensão foi a questão da construção do aeroporto de Claudio, no terreno que era de um tio-avô de Neves.

O apresentador do JN, William Bonner, abordou a questão explicando sobre a desapropriação do terreno e perguntou a Aécio Neves se ele considera “republicano construir um aeroporto que poderia ser visto como um benefício para a sua família, no mínimo, por valorizar as terras dela”.

O candidato agradeceu a pergunta e afirmou que o seu governo “foi republicano” e “absolutamente transparente” e disse, antes de explicar a questão do aeroporto, que Minas “tem a melhor educação do Brasil”, o que vai de encontro à posição dos professores da rede pública do estado mineiro. Depois, falou do asfaltamento de “todas as cidades”, do programa ProAero que “ligou um total de 92 aeroportos” em Minas e declarou que “se teve algum prejudicado” foi o seu tio-avô, que recebeu 1 milhão pelo terreno e hoje pede 9 milhões na Justiça e a “população daquela localidade [Claudio] sabe da importância desse aeródromo”.

Posteriormente, Bonner questionou se o candidato “tinha algum constrangimento ético pelo fato de ter utilizado” a pista quando visitou a sua família na fazenda, no que Aécio Neves respondeu que “não”, de que não tinha constrangimento ético por ter utilizado a pista de pouso, que segue fechada para utilização pública. O candidato ainda tentou justificar com o argumento de que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) demora com a homologação, tese que foi rejeitada pelo entrevistador.

Aliás, as outras duas teses do candidato Aécio Neves também são refutáveis, inclusive pelos moradores da cidade de Cláudio. A reportagem da revista Fórum esteve na cidade mineira e conversou com moradores locais que questionaram a funcionalidade do tal aeródromo. A população como um todo considera que o dinheiro investido (15 milhões de reais) foi um desperdício frente a tantas carências emergenciais que a cidade ainda possui e não foram supridas.

Outro argumento que e utilizado para justificar a construção do aeroporto de Claudio é que serviria para impulsionar o comércio local. No entanto, trata-se de outra tese que vai por água abaixo por questões geográficas, visto que a cidade vizinha, Divinópolis, fica a uma distância de 32 quilômetros, possui uma população de 226 mil habitantes, um parque industrial desenvolvido e um aeroporto que fica aberto à população.

Para se ter uma ideia do quão inexplicável é a história do aeroporto de Claudio, basta usarmos o exemplo do Aeroporto de Confins, que fica a uma distância de 42 quilômetros de Belo Horizonte e possui uma capacidade para receber 11 milhões de pessoas por ano, segundo dados da Anac. Ou seja, toda a história em torno do aeroporto de Claudio envolve muitas perguntas, desconfianças e nenhuma resposta por parte do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Foto: Vinicius Gomes