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24 de junho de 2018, 09h40

Fachin engavetou investigação contra Temer no mesmo dia que cancelou julgamento de Lula

O ministro do STF alegou falta de provas para impedir o andamento das investigações. Fachin acolheu o pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge

O ministro do STF, Edson Fachin. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Responsável por cancelar, na última sexta-feira (22), o julgamento que poderia libertar o ex-presidente Lula, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, arquivou, no mesmo dia, uma investigação sobre um manuscrito apreendido no gabinete do senador Ciro Nogueira (PP), que envolve diretamente o presidente Michel Temer. O documento trazia os dizeres: “Fundo 1000 Imp 200 RT 200 Temer 300 300”.

O ministro do STF alegou falta de provas para impedir o andamento das investigações. Fachin acolheu o pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

A Polícia Federal encontrou o papel em uma operação de busca e apreensão no gabinete do senador em abril. Nogueira é acusado de compra do silêncio de testemunha, o seu ex-assessor José Expedito Almeida, e obstrução à Justiça. Entre os documentos apreendidos estava o papel que poderia levar ao aprofundamento da investigação contra o presidente Temer. No entanto, a PF não levantou mais detalhes e recomendou o fim dos trabalhos sobre o caso.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, na última terça-feira (19), denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele pelo crime de obstrução de justiça.

Além da investigação sobre obstrução de Justiça, os parlamentares Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte são alvo, juntos, de um inquérito derivado da Lava Jato sobre a existência de uma organização criminosa no âmbito do PP, envolvendo ainda outros políticos do partido.

De acordo com o trabalho de apuração do Ministério Público Federal (MPF), eles estariam atuando com outros parlamentares do PP: Aguinaldo Ribeiro, Arthur Lira, Benedito de Lira, José Otávio Germano, Luiz Fernando Faria e Nelson Meurer. A denúncia afirma que os parlamentares do PP montaram um esquema de arrecadação de propina “por meio de diversos órgãos públicos da administração pública direta e indireta”.