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09 de outubro de 2017, 14h46

Falta de professores em escolas municipais de São Paulo revolta pais

Gestão Doria: Crianças de escolas da zona sul da capital paulista acabam sendo dispensadas ou são divididas entre outras turmas, com outros professores, deixando os familiares preocupados Por Rodrigo Gomes, na RBA Pelo menos sete escolas da zona sul da capital paulista estão dispensando alunos de creche, pré-escola e ensino fundamental por falta de professores. Em outros casos, crianças acabam sendo divididas e ampliando as turmas atendidas por um mesmo docente. Segundo pais de alunos dessas unidades, o problema decorre da dispensa de professores não concursados pela administração do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). As escolas enviam bilhetes...

Gestão Doria: Crianças de escolas da zona sul da capital paulista acabam sendo dispensadas ou são divididas entre outras turmas, com outros professores, deixando os familiares preocupados

Por Rodrigo Gomes, na RBA

Pelo menos sete escolas da zona sul da capital paulista estão dispensando alunos de creche, pré-escola e ensino fundamental por falta de professores. Em outros casos, crianças acabam sendo divididas e ampliando as turmas atendidas por um mesmo docente. Segundo pais de alunos dessas unidades, o problema decorre da dispensa de professores não concursados pela administração do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). As escolas enviam bilhetes avisando que no dia seguinte não vai haver aula, mas algumas vezes os pais ficam sabendo na porta da unidade de ensino e têm de se desdobrar para conseguir deixar o filho com parentes ou amigos.

“Estão tendo de revezar o dia que cada turma tem aula. Às vezes vem avisado na agenda, mas tem dia que a gente fica sabendo na porta. Quando não dispensa, divide as crianças com outros professores. É uma situação muito difícil”, lamentou a gerente comercial Emanuelle Aparecida, mãe de Geovana, que tem 5 anos e está na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Canal do Cocaia, no Grajaú. Segundo informações de servidores, a unidade tem 15 turmas sem professor e está fazendo revezamento de aulas.

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Para Margarida dos Santos, que mantém um serviço de manutenção e instalação de eletrodomésticos com o marido Odair, o cuidado da filha Gabrielly, de 4 anos, ficou bem complicado. “A gente já deixava ela em uma escolinha particular no contraturno, mas agora tem dias que ela precisa ficar o dia todo lá. A dona tem sido compreensiva, mas logo vou ter de definir a situação e isso vai onerar muito a gente. Já tivemos de reorganizar a agenda de clientes de última hora para cuidar dela. Meu marido está fazendo atividades de alfabetização com ela em casa, por que está tudo muito bagunçado e não quero que ela fique atrasada”, explicou.

A situação se repete em outras escolas da região. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Florestan Fernandes, no Jardim Guanabara, tem três turmas do ensino fundamental 1 sem professores. Já a Plínio Marcos, em Parelheiros, tem duas turmas na mesma situação. A Emei Caminho dos Martins, também no Grajaú, está com nove turmas de pré-escola sem professores.

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Na região do Campo Limpo, o Centro Educacional Unificado (CEU) Vila do Sol não tem professor na educação infantil. A auxiliar administrativa Joseilma Barreto do Nascimento estava saindo para trabalhar nesta segunda-feira (9), quando soube que a filha Emili, de 2 anos, não teria aula. “Foi o tio da perua que me avisou. Tive de correr na avó dela. Nesses dois meses ela já teve de ficar com outros professores e foi dispensada várias vezes”, relatou.

Ainda segundo Joseilma, nenhum aviso foi dado aos pais anteriormente. E a filha tem ficado com apenas um educador em sala, quando a legislação obriga que crianças nessa idade sejam acompanhadas por dois professores. “A escola é ótima, mas essa situação deixa a gente muito preocupada. É muito transtorno. Só soube da saída da professora porque recebi um bilhete dela se despedindo na agenda da minha filha. Ainda não sabemos quando isso vai ser resolvido”, afirmou.

Segundo a artesã Andresa Cristina Freitas da Silva, a escola está pedindo para que a partir desta terça-feira (10), somente pais que precisam muito deixar as crianças levem elas para a escola, sobretudo no berçário. Mas a situação pode afetar as demais. Na mesma região a Emef Ana Silveira e o Cemei Jardim Mitsutani têm o mesmo problema.

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“Nossas crianças estão correndo risco de ficar sem estudar por falta de professores. O contrato dos professores que começaram o ano letivo acabou, foram embora grande parte. Entraram novos, mas não é o suficiente para a demanda. Eles acabam até dobrando o horário para atender mais crianças. Precisamos disso. Ele precisa disso, se desenvolveu muito depois que começou a frequentar a escola”, disse Andresa.

Até o fechamento da reportagem, a Secretaria Municipal da Educação não respondeu à RBA.

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