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12 de agosto de 2016, 20h11

Familiares de vítimas fazem ato para lembrar um ano da chacina de Osasco

No dia 13 de agosto do ano passado 19 pessoas foram mortas em Osasco, Itapevi e Barueri. As investigações apontam que o crime possa ter sido cometido por grupos de extermínio dentro da polícia Por Redação* Nesta sexta-feira (12), parentes de algumas vítimas das chacinas de Osasco, Itapevi e Barueri organizaram um ato no vão livre do […]

No dia 13 de agosto do ano passado 19 pessoas foram mortas em Osasco, Itapevi e Barueri. As investigações apontam que o crime possa ter sido cometido por grupos de extermínio dentro da polícia

Por Redação*

Nesta sexta-feira (12), parentes de algumas vítimas das chacinas de Osasco, Itapevi e Barueri organizaram um ato no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, para cobrar mais agilidade na investigação dos crimes, o  pagamento de uma indenização para as famílias e homenagear os 19 mortos dos crimes  que completam um ano amanhã (13).

Cadeiras vazias foram enfileiradas na calçada para lembrar o espaço que a morte dessas pessoas deixou na vida de suas famílias. Segundo Fernanda Vallim Martos, coordenadora da ONG Rio de Paz que organizou a manifestação, a Defensoria Pública entrou com pedido de indenização contra o governo do estado.

“O governo do estado já está ciente. As famílias precisam receber uma boa quantia, porque a vida delas parou, se desestruturou. Na maioria dos casos, quem faleceu foi o provedor da casa”, disse Fernanda.

Esse é o caso de Antônia Gomes da Silva, mãe do Jailton Vieira da Silva, que tinha 28 anos quando morreu. Ele trabalhava como eletricista, encanador e pedreiro para sustentar os três filhos. Foi morto no bar, onde morreu a maioria das vítimas da chacina.

“A gente está cobrando para que a Justiça tome uma providência, para que outras mães não precisem chorar. Nossos filhos eram quem trabalhavam, sustentavam a casa. Hoje, a gente depende dos outros. Eles só mataram inocente. Meu filho trabalhava e sustentava os três filhos, espero que não venha a acontecer o mesmo com meus netos”, disse Antônia.

Maria José de Lima Silva, de 50 anos, doméstica, perdeu o filho Rodrigo Lima da Silva, de 16 anos. O adolescente estava em uma sorveteria, onde foi assassinado com o sorvete na mão. “Esse ato representa muita tristeza, muita dor, amargura no meu coração, muita saudade. Meu filho era o caçula. Essa é a pior data do mundo.”

Rodrigo deixou ainda a namorada grávida. A criança está agora com sete meses. “O sonho do Rodrigo era trabalhar, casar. Eu tento esquecer, conversar com as minhas vizinhas, outras mães, mas a dor não sai”, acrescentou Maria José.

Ana Aparecida Adriana de Lima, de 47 anos, vendedora, perdeu o irmão Thiago Marcos Damas, de 32 anos. Ele era auxiliar de escritório e tinha ido à casa de sua irmã para ajudá-la a montar um guarda-roupas e comemorar o aniversário. “Ele estava esperando para dar um abraço e um beijo na nossa irmã, porque era aniversário dela. Ele estava voltando para casa, quando foi morto no ponto de ônibus”, lembra.

Ela admite que será difícil superar a saudade. “Tudo eu lembro dele. Vou fazer uma comida, lembro. Uma brincadeira dentro de casa, lembro. A alegria da casa acabou. Todo mundo cabisbaixo. A Justiça vai, pelo menos, amenizar a dor.”

O advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe) e do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), que está acompanhando o caso disse que na semana passada houve uma audiência em que falta a juíza decidir se os três acusados, dois policiais militares vão a júri popular.

Ariel também disse que a falta de investigações e a impunidade neste tipo de caso acaba aumentando os índices de letalidade policial em São Paulo.

“A violência policial em São Paulo está sempre aumentando, então a percepção que nós temos é de que a polícia paulista está com licença para matar e cada vez vemos que o governo do estado acaba incentivando e patrocinando ações violentas da Polícia Militar”, completou.

Relembre o crime

No dia 13 de agosto, uma série de assassinatos deixou 19 mortos nas cidades de Osasco e Barueri, região oeste da Grande São Paulo. A principal hipótese das investigações é a de que a chacina tenha sido cometida por policiais militares, como vingança pela morte do policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, no dia 7 de agosto, em Osasco. Os policiais investigam ainda a possibilidade de que os homicídios sejam um revide à morte de um guarda-civil, no dia 12 de agosto, em Barueri.

No total, 18 policiais militares foram alvo de mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos documentos, celulares e outros materiais que poderiam comprovar a participação dos suspeitos nos crimes. Além disso, a Justiça Militar decretou a prisão preventiva do soldado Fabrício Emmanuel Eleutério. Ele foi reconhecido pessoalmente por um sobrevivente da chacina. O soldado negou a participação nos assassinatos.

*Com infotrmações da Agência Brasil

Foto de Capa: Rovena Rosa/Agência Brasil