07 de maio de 2018, 11h48

“Fechamento de agências e demissões são parte de projeto para privatizar os Correios”, diz dirigente da Fentect

Para José Rivaldo da Silva, “se isso, de fato, ocorrer vai causar um impacto violento, tanto na qualidade dos serviços quanto na precarização do trabalho”

Rivaldo: “Eles já acenaram em outras oportunidades que pretendem transferir parte dos serviços para a iniciativa privada” – Foto: Reprodução/TV Senado

A notícia de que os Correios pretendem fechar 513 agências, o que provocará a demissão de 5.300 trabalhadores, mobilizou a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares). Na avaliação de José Rivaldo da Silva, secretário-geral da entidade, essa decisão faz parte de um projeto maior, que visa privatizar grande parte das atividades da estatal.

“Se isso, de fato, ocorrer vai causar um impacto violento, tanto na qualidade dos serviços quanto na precarização do trabalho. Desde 2012 há falta de efetivo. Para se ter uma ideia, em 2011 contávamos com 128 mil trabalhadores e havia um estudo da própria empresa que apontava a necessidade de contratar mais 20 mil. Hoje, com seguidos planos de demissão, chegamos a 105 mil, ou seja, houve a perda de 23 mil vagas”, revela o dirigente.

José Rivaldo da Silva diz que essa política dos Correios de apostar no fechamento de agências e em demissões para sair da crise é equivocada. “O que precisa ser feito é melhorar a qualidade dos serviços, inclusive aumentando as atividades. Falta uma gestão que tenha capacidade de criar alternativas para isso. Por exemplo, as agências, principalmente nas cidades menores, poderiam servir como uma espécie de Poupatempo, oferecendo um local para a população retirar documentos”.

O dirigente conta que a Fentect vem pedindo frequentemente uma reunião com o presidente interino dos Correios, Carlos Forther, mas ele não parece disposto a negociar. “Para nós, é evidente que essa decisão visa beneficiar interesses privados. Eles já acenaram em outras oportunidades que pretendem transferir parte dos serviços para a iniciativa privada. Enfim, toda essa situação provoca o sucateamento da empresa, atraso nas entregas, filas enormes. E, observando o cenário, eles esperam que a população tenha a perspectiva de que é melhor privatizar para melhorar o serviço. Mas isso não é verdade”.

Carlos Forther chegou a dizer que não seriam demissões, e, sim, “liberação do excedente de mão de obra”, conforme publicou o Brasil 247. “Isso é uma forma de escamotear, enganar os funcionários. Nós vamos insistir em uma reunião com o presidente interino para debater medidas de enfrentamento. Vamos fazer de tudo para evitar o fechamento das agências e, principalmente, as demissões”, completa Rivaldo.