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19 de janeiro de 2018, 15h14

FENAJ apresenta relatório 2017 de violência contra jornalistas

Além da violência, a Federação Nacional dos Jornalistas destacou , no relatório deste ano, a questão da censura sofrida por jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que, segundo a entidade, teve o seu caráter público desvirtuado a partir de 2016 Por Priscila Buares A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) promoveu na tarde desta quinta-feira (18) uma coletiva para apresentação do Relatório 2017 de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil. O evento foi realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, e contou com a presença da presidenta da federação, Maria...

Além da violência, a Federação Nacional dos Jornalistas destacou , no relatório deste ano, a questão da censura sofrida por jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que, segundo a entidade, teve o seu caráter público desvirtuado a partir de 2016

Por Priscila Buares

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) promoveu na tarde desta quinta-feira (18) uma coletiva para apresentação do Relatório 2017 de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil. O evento foi realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, e contou com a presença da presidenta da federação, Maria José Braga.

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Segundo dados da pesquisa, pode ser constatada uma queda no número de agressões a profissionais da comunicação no ano de 2017, em comparação com 2016, e a não ocorrência de casos de assassinato decorrentes do exercício do jornalismo, mas os números ainda são alarmantes: foram registrados 99 casos de agressão aos profissionais, a partir de atos como a violência física, ameaças, atentados, detenções arbitrárias e ações judiciais. O objetivo de tais ações violentas, segundo o relatório, é o cerceamento da liberdade de imprensa.

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Além desses, o relatório também registra censura interna nas redações, manipulação dos fatos, meias-verdades e mentiras, as chamadas fake news. No relatório, o caso que enfatiza os atos citados é o da censura sofrida por jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo a presidenta da FENAJ, a empresa teve o seu caráter público desvirtuado a partir de 2016, quando, até este ano, estava a caminho de ser uma referência na produção jornalística pública.

Ao relatório deste ano, a federação integrou uma nova categoria de avaliação, o cerceamento ao acesso a informações públicas. Segundo o relatório, houveram dois casos referentes a dados públicos em 2017, o que, para a FENAJ, é certeza de que haverá um aumento significativo deste dado em 2018, tamanha a importância do jornalismo de dados no processo da informação.

Os números do relatório foram divididos em seis categorias: tipos de agressão, violência por região, violência por estado, violência por gênero, violência por tipo de mídia e autores das agressões. Os dados relatam a região Sudeste do Brasil como sendo o local de maior número de casos de violência contra jornalistas, com 34,35% dos casos, São Paulo como o estado com maior número de agressões (16,16%), o sexo masculino como maioria entre as vítimas (83 profissionais), repórteres cinematográficos e fotográficos como os mais atingidos no exercício da profissão, o jornal (impresso e internet) com o maior número de casos de violência na mídia e os policiais como os principais autores das agressões.

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O evento também contou com a presença do jornalista Caio Barbosa, demitido do jornal O Dia após denunciar, em uma matéria, o caos da saúde no município do Rio de Janeiro, na gestão do prefeito Marcelo Crivella. O jornalista relatou o fato, ocorrido em março de 2017, quando escreveu a matéria intitulada “Febre amarela: população critica filas e falta de informação nos postos”, falou sobre seu estado atual com o veículo e incentivou aos demais profissionais a prática da denúncia às agressões e ao cerceamento da liberdade de imprensa, não escondendo e, assim, protegendo os agressores.

Segundo a presidenta da FENAJ, “a impunidade é o combustível da violência” e “omitir os casos é proteger o agressor”. Para isso, a federação tem dado todo o apoio que o jornalista precisa, desde o momento da denúncia até a conclusão do fato, além de reivindicar medidas ao poder público e aos veículos de comunicação, e incentiva, através de campanhas de conscientização, que os agressores sejam denunciados, ao contrário do que pensam os profissionais, de que estão protegidos, caso não denunciem. “Mais do que se esconder, você é a vítima. Nós estamos dispostos a dar esse apoio”, enfatiza a presidenta.

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Sobre 2018, Maria José Braga espera por respeito dos órgãos públicos e da sociedade ao exercício da profissão de jornalista. “Estamos com a expectativa de que os partidos políticos, os candidatos, os cabos eleitorais, os partidários, a sociedade em geral respeite o trabalho do jornalista”. E finaliza: “É quase certo que vai crescer o número de ações judiciais para retirada de conteúdo. Esperamos que o judiciário atente para a distinção entre conteúdo difamatório, boatos, fake news e a verdadeira informação”.

Para ler o relatório na íntegra, clique aqui.

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