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25 de setembro de 2018, 13h54

Fernando Morais tem o perfil censurado pelo Facebook por postagem sobre eleição

O escritor advertia na postagem que o inquérito sobre a facada em Bolsonaro será liberado ao público na antevéspera da eleição, o que o levou a lembrar da camisa do PT no sequestrador de Abílio Diniz, em 89, e no tiro em Carlos Lacerda, em 54

Fernando Morais. Foto: Reprodução YouTube da TVT
O escritor e jornalista Fernando Morais, editor do site Nocaute, afirmou, em entrevista exclusiva à Fórum, nesta terça-feira (25), ter sido censurado pelo Facebook pela segunda vez sem ter, de acordo com ele, “transgredido qualquer uma das normas da rede”. Morais disse que a primeira vez que sofreu censura por parte do Facebook foi na véspera da votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Naquele momento, o escritor usava a sua página para tentar convencer parlamentares a votarem contra o golpe. A postagem que gerou censura desta vez, conforme descreve Morais, dizia que o prazo para a...

O escritor e jornalista Fernando Morais, editor do site Nocaute, afirmou, em entrevista exclusiva à Fórum, nesta terça-feira (25), ter sido censurado pelo Facebook pela segunda vez sem ter, de acordo com ele, “transgredido qualquer uma das normas da rede”.

Morais disse que a primeira vez que sofreu censura por parte do Facebook foi na véspera da votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Naquele momento, o escritor usava a sua página para tentar convencer parlamentares a votarem contra o golpe.

A postagem que gerou censura desta vez, conforme descreve Morais, dizia que o prazo para a Polícia Federal tornar público o inquérito sobre a facada contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sai na antevéspera do primeiro turno da eleição. “No mesmo dia, um juiz liberou a revista Veja para entrevistar o suspeito. Se por acaso sai alguma coisa que comprometa o resultado das eleições, no sábado já não tem mais programa eleitoral para responder”, conta o escritor.

“Nós já temos experiência disso. Vocês lembram a camisa do PT que colocaram no sequestrador do Abílio Diniz, em 89, né?”, adverte o escritor. “Lembram também do tiro no pé do Carlos Lacerda, em 54?. Ninguém nunca fotografou o buraco do tiro. Três semanas depois o Getúlio se matava. A única foto que tem é dele saindo do hospital com o pé engessado e não enfaixado”, afirma.

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Fernando Morais conta que o foi censurado por trinta dias. A sua postagem foi para o ar e teve vários comentários e curtidas antes de ser retirada. “Não coloquei foto de mulher pelada, não sugeri atividade terrorista, não propaguei o ódio organizado, não propaguei assassinatos em série ou em massa, tráfico humano, violência organizada ou atividade criminosa. Não há o menor sentido em me censurarem”, desabafou.

O escritor conta ainda que procurou o Facebook, mas não obteve resposta nem justificativa, apenas um aviso padrão, que é enviado a todos, conforme pode ser lido abaixo:

Reprodução do bloqueio da página de Fernando Morais.

 

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