05 de março de 2018, 12h43

Festival de Teatro de Curitiba: Nu do MAM e Jesus trans no mesmo espetáculo contra a onda conservadora

O espetáculo “Domínio Público” traz ainda Elizabeth Finger, a mãe da menina que tocou o corpo de Schwartz nu e Maikon K, que foi preso fazendo uma performance nu no DF

Criança toca ator nu durante performance Lá Bête, no MAM. Foto: Reprodução

O Festival de Teatro de Curitiba, mais importante e maior festival de artes cênicas do Brasil, resolveu encarar de frente a onda conservadora e chega a sua 27ª edição entre 27 de março e 8 de abril de 2018 sem medo de polêmica.

Prova disso é o espetáculo inédito “Domínio Público”, que integra a programação com mais de 400 atrações que promete fazer a capital paranaense respirar arte em mais de 90 espaços durante os 13 dias de evento.

A atriz Renata Carvalho como Jesus Trans, no espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu”. Foto: Divulgação

O espetáculo, uma das coproduções do festival, é definido pelos curadores Marcio Abreu e Guilherme Weber como “uma peça criada para refletir a onda de conservadorismo e intolerância que assolou o Brasil no ano de 2017”.

Para isso, eles convocaram artistas que foram notícia no ano passado para atuar na peça “criada e performada por artistas cujas obras e ações estiveram envolvidas em diferentes episódios de ataque e censura”.

Estarão juntos em cena Wagner Schwartz, artista que fez a polêmica performance “La Bête” com nudez no MAM, em São Paulo; Elizabeth Finger, a artista e mãe da menina que tocou o corpo de Schwartz nu no MAM; Renata Carvalho, atriz travesti que foi censurada na Justiça por viver Jesus na peça “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu”; e Maikon K, artista que foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal enquanto realizava uma performance com nudez em Brasília.

Maikon K, que foi preso em Brasília durante uma apresentação artística, também está em “Domínio Público” no Festival de Curitiba – Foto: Victor Takayama/Divulgação

“Domínio Público é também um estudo sobre o Brasil de hoje. Os artistas que passaram a ser conhecidos popularmente como o homem nú do MAM (Wagner Schwartz), a travesti que interpreta Jesus (Renata Carvalho), o homem nú da bolha (Maikon K) e a mãe que permitiu que sua filha tocasse o homem nu (Elizabeth Finger) refletem sobre fake news, o papel da mídia, os robôs e as mensagens de ódio, Estado e religião, arte e sexo como uma resposta pública ao momento virulento que o Brasil enfrenta”, falam Abreu e Weber, que assinam a curadoria do Festival de Curitiba pelo terceiro ano consecutivo.

Idealizador e diretor do Festival de Curitiba, o produtor cultural Leandro Knopfholz diz que “Domínio Público” respeita a trajetória do festival, que sempre discutiu assuntos pertinentes da sociedade brasileira nos palcos ao longo de todas as suas edições.

“Coproduzir espetáculos é sempre um desafio a mais ao se fazer um evento do porte do Festival de Curitiba, que envolve pessoas e propostas variadas.  E contribuir para estimular reflexões sobre temas relevantes para a sociedade brasileira, por meio das artes e da cultura, traz uma importância a mais para o trabalho realizado por toda a equipe do Festival ao longo de suas 27 edições”, declara com exclusividade Knopfholz ao Blog do Arcanjo no UOL.

Com informações do Blog do Arcanjo