12 de novembro de 2018, 11h07

Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro quer criminalizar comunismo no Brasil

Em sua coluna, Ana Prestes destaca os principais destaques internacionais do dia, entre eles, a entrevista de Eduardo Bolsonaro ao Estadão, "cheia de absurdos"

– O presidente eleito Bolsonaro fechou uma semana turbulenta com respeito às relações internacionais, recebendo, na última sexta (9) visita de membros do corpo diplomático da Argentina e da Alemanha.

– Entidades brasileiras e internacionais ligadas ao meio ambiente fizeram uma carta com detalhamento dos “riscos Bolsonaro” paras políticas ambientais e climáticas para ser levada à COP 14 (Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade) que começa amanhã, 13 de novembro, e vai até o dia 29 na cidade de Sharm El Sheikh, no Egito.

– O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Bolsonaro, em entrevista ao Estadão, disse que pretende levar adiante um projeto de criminalização do comunismo no Brasil, inspirado ao que, segundo ele, ocorre na Polônia, na Ucrânia e na Indonésia. Ao ser questionado pelo entrevistador, o deputado disse: “Ué, o nazismo é criminalizado”. Na sequência, ao ser lembrado de que essa medida excluiria imediatamente dois partidos políticos, que seriam colocados fora da lei, entrando em atrito com a Constituição Federal que estabelece a liberdade de organização política, ele disse: “E ela vai continuar estabelecendo”. O deputado ainda disse que um parlamentar usar sua posição de representante de uma parcela da sociedade para combater o comunismo é o mesmo do que fazer campanha contra o câncer de próstata, que o fato dos EUA permitirem o comunismo se deve ao fato de que já combateram e venceram o comunismo na guerra fria.

– Ainda em sua entrevista, Eduardo Bolsonaro diz sobre a Venezuela: “Dificilmente a Venezuela vai se libertar de uma maneira pacífica. Só com muita pressão, sanções internacionais, é que você vai conseguir ter uma eleição livre fiscalizada pela OEA. É por isso que eu apoio o governo de transição, uma proposta do Miguel Angel Martinez, que está exilado em Washington, que trabalha para promover esse governo”. Disse ainda que a MUD (mesa de unidade democrática) é uma falsa oposição ao Maduro, pois acredita no processo eleitoral.

– A entrevista do Bolsonaro Jr. é longa e cheia de absurdos. Vale a pena ler na íntegra para se inteirar de como pensa um dos membros do clã presidencial que mais se dedica aos temas internacionais. Entre outras afirmações tacanhas está a de que o Itamaraty é o ministério onde mais está arraigada a ideologia marxista.

– Por falar no clã, viralizou mundialmente uma foto em que dois filhos de Bolsonaro aparecem com camisetas que levam as imagens da Forças Armadas de Israel e do Mossad (serviço de inteligência israelense).

– Um século após o fim da 1ª Guerra mundial em 11 de novembro de 1918, líderes de países europeus envolvidos no conflito se reuniram em Paris. Estiveram presentes mais de 70 chefes de Estado e de Governo, entre eles Trump e Putin. A palavra que marcou o encontro foi “nacionalismo”, dias antes Trump tinha reafirmado: “Sou um nacionalista” e Macron fez questão de ressaltar em seu discurso que a Europa corre o risco “da lepra nacionalista”. Chanceler alemã Angela Merkel também falou de um “pensamento nacionalista cego” como ameaça à paz e à cooperação internacional.

– Como efeito do fim da 1ª guerra, neste mesmo 11 de novembro de 1918 a Polônia reapareceu no mapa, após ter sido dividida entre Rússia, Império Austro-Húngaro e a Prússia. A marcha de comemoração foi realizada pelo governo com grupos de extrema-direita do país. O lema do ato foi: “Deus, honra e pátria”.

– No Vietnã, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel foi condecorado com a Medalha Ho Chi Minh durante o fim de semana.

– Uma estátua de Cristóvão Colombo foi removida da cidade de Los Angeles. A justificativa do conselho do governo da cidade é de que deixar de homenagear o conquistador é uma forma de justiça reparadora com os habitantes originais do município.

 

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