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14 de setembro de 2007, 13h15

Fóruns seguem vocação de não se tornarem reféns de seus intelectuais, diz Gadotti

Reinventar, mudar e inovar. Segundo Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM), essas são as palavras que melhor definem o processo tanto do Fórum Mundial de Educação (FME) quanto do FSM

Reinventar, mudar e inovar. Segundo Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM), essas são as palavras que melhor definem o processo tanto do Fórum Mundial de Educação (FME) quanto do FSM

Por Brunna Rosa

Para Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM), os movimentos sociais não querem ser apenas platéias. “Querem subir no palco e falar sobre suas experiências”, declara em entrevista à Fórum. Com isso, o encontro e o processo dos Fóruns consegue garantir sua vocação de não se tornarem reféns de seus intelectuais.

Ele discute ainda a influência de Paulo Freire no processo que culminou tanto no FSM quanto no Fórum Mundial de Educação (FME). Até domingo, 16, Gadotti participa do FME do Alto Tietê (SP).

Confira a entrevista.

Fórum – Como o senhor vê a influência de Paulo Freire na lógica de eventos como o Fórum?
Moacir Gadotti –
O primeiro Fórum Social Mundial e o Fórum Mundial de Educação, que aconteceram em 2001, em Porto Alegre, são resultados de mais de 40 anos, quase meio século, da ação dos movimentos de educação popular e de movimentos sociais da América Latina. Antes dos acontecimentos dos Fóruns houve vários antecedentes e vários intelectuais estavam ligados a aqueles eventos. Mas, sem dúvida, Paulo Freire foi um dos mais pródigos. Ele estava intrinsecamente ligado à educação popular na América Latina, e foi influenciado e influenciou todo o processo que culminou, em 2001, no Fórum Social Mundial.

Fórum – Ontem [quinta-feira, 13] durante a conferência do Eixo 1, o senhor disse que o Fórum Mundial de Educação está reinventando Paulo Freire. O que quis dizer com isso?
Gadotti –
Paulo Freire, no livro Pedagogia da Pergunta, diz textualmente que “para seguir-me não pode me seguir”. Ele sabia que não poderíamos segui-lo, teríamos que reinventá-lo. Paulo Freire, sempre gostou muito de reinventar a escola, o poder, as relações e certamente, se estivesse vivo, ficaria muito feliz em presenciar todo este movimento de reinvenção freireana que estamos realizando. Freire morreu em 1997, cheio de idéias e projetos, muitos desses sem ver finalizados, como o “tecendo saber”. Estamos realizando o que ele sempre sonhou em fazer.
Costumo falar em um pós-Paulo Freire, assim como falo do pós-[Karl] Marx, que em ambas as situações não é jamais negar a importância desses intelectuais, mas saber que o conhecimento produzido por eles é fundamental para analisarmos nossa realidade, mas jamais repeti-los.

Fórum – Como membro do conselho internacional do Fórum Social Mundial, como o senhor vê o deslocamento dos Fóruns para a periferia?
Gadotti –
Os Fóruns estão seguindo sua vocação de não virarem reféns de seus intelectuais. Os movimentos sociais não querem ser apenas platéias. Querem subir no palco e falar sobre suas experiências. Os Fóruns estão trabalhando com outro paradigma, um movimento pedagógico de formação de consciências críticas lutando contra o velho.