08 de setembro de 2018, 14h21

Funcionários da editora Abril farão ato público em 14/09 para denunciar calote

Os funcionários demitidos pela Editora Abril farão manifestação no próximo dia 14/09 para exigir a cobrança dos direitos trabalhistas. A empresa deve R$ 110 milhões em encargos trabalhistas e pagamentos aos 800 funcionários demitidos

Editora Abril
Editora Abril. Foto: Divulgação

Funcionários demitidos da Editora Abril farão um ato público no próximo dia 14, a partir das 12h, na porta da gráfica da editora para entregar uma Carta Aberta à Família Civita e denunciar a “repulsa e indignação diante da dispensa em massa, no dia 6 de agosto, de 800 empregados que ajudaram a construir a história do Grupo Abril”. “Jornalistas, gráficos, funcionários da distribuição e do administrativo, além de freelas: precisamos comparecer e mostrar força!”, diz o texto.

Segundo a nota divulgada pelos funcionários demitidos, “a empresa não cumpriu sua obrigação. Negou-se a pagar todas as verbas rescisórias (incluindo a multa de 40% sobre o FGTS) e mais uma multa (referente ao artigo 477 da CLT) por não ter quitado, em dez dias, sua dívida com os empregados demitidos. Conseguiu esse feito com ajuda da Justiça: no dia 16 de agosto, o juiz atendeu o pedido do Grupo Abril, que entrou em Recuperação Judicial (RJ)”.

“Dessa maneira, nós, que tínhamos o salário como única fonte de sustento, fomos jogados em uma interminável lista de credores a quem o Grupo Abril deve 1,6 bilhão de reais. Credores são os bancos, os grandes fornecedores de papel, as empresas estrangeiras com quem a Abril mantém negócios. Nós somos trabalhadores! Muitos, entre os demitidos, já estão sem dinheiro para comprar comida, pagar a escola dos filhos, o transporte, as prestações, os remédios”, prossegue a nota.

“Aos seus empregados, a Abril reservou o calote. Nossa parte (incluindo a dos freelas) corresponde a cerca de 8% da dívida total. Isso, a Família Civita, principal acionista do grupo, poderia pagar com recursos próprios. Ainda segundo o texto, com R$ 110 milhões “eles cumpririam a obrigação de pagar os homens e as mulheres que, dia e noite, incansavelmente, trabalharam para que a Abril se tornasse a maior editora de revistas da América Latina – e eles mantivessem o conforto de que dispõem hoje”.

“É preciso fazer o Grupo Abril assumir a responsabilidade com aqueles que jogou no olho da rua. Vamos pressioná-lo com o comparecimento em massa! No ato, entregaremos uma Carta Aberta a Família Civita. As famílias dos demitidos estarão na porta da gráfica para entregar esse documento. Vamos demonstrar que estamos unidos e fortes, defendendo o que o nosso suor conquistou – e que agora nos querem roubar”, encerra o texto.