o colunista

por Cleber Lourenço

07 de junho de 2019, 06h00

Fuzil, trânsito e zero emprego

Cleber Lourenço, em novo artigo: “Treze milhões de brasileiros que não existem e não merecem a devida importância para o presidente, aos poucos mergulham na informalidade, agravando ainda mais a crise na Previdência”

Foto: Reprodução

Na verdade, para os mais antenados não é nenhuma novidade o desemprego não ser uma prioridade no atual governo.

Desde o dia 1º de janeiro, as declarações do presidente vão entre autorização para assassinato, barraco em rede social e um vídeo de um homem urinando em outro.

Mas nada contundente sobre desemprego, alta nos preços e retração violenta do poder de compra dos brasileiros. O que, repito, não era nenhum segredo. O motivo? Simples! Já conferiu o plano de governo da campanha do presidente eleito? Se não, leia aqui.

Um verdadeiro prelúdio da tragédia! O documento, com um pouco menos de 100 páginas, é notável pela pobreza de dados técnicos e ações concretas para “endireitar o Brasil” e que pode ser considerado uma “cartinha de Papai Noel”, cheia de “boas” intenções, mas sem encarar os problemas do país, de fato. Programa de obras públicas? Investimento na indústria e infraestrutura? Não! O negócio é liberar o assassinato no campo!

Não há dúvidas de que Bolsonaro segue sua proposta de governo que, em resumo, é: Querer muitas coisas, mas não saber por onde começar.

É muito cobrar a realização de grandes coisas em 100 dias de governo? Sim! Até injusto, mas, por outro lado, não é injusto exigir que o governo tenha algum direcionamento, alguma linha para seguir e isso ainda sequer existe.

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É claro, com exceção ao foco ostensivo na reforma da Previdência, o que, na verdade, também demorou para vir, não há mais nada no horizonte do governo, além de perseguir grupos sociais, professores e propagandas.

Pergunto-me, também, o que acontecerá depois da aprovação da reforma ou caso ela vire água. Existe vida após a reforma da Previdência? Aparentemente, nada.

É entre cotoveladas e gritaria que um grupo cada vez maior de brasileiros segue desprezado: os desempregados. O presidente já afirmou que não acredita nos números do IBGE, assim como sequer debateu o assunto em alguma de suas lives semanais. Ao invés disso, atacou instituições, políticos, jornalistas e… Lula!

Enquanto o desemprego bate no teto… O governo acredita que a preocupação do cidadão brasileiro neste momento é o design das notas de 50 e 100 reais, enquanto tenta permitir que crianças andem por aí sem cadeirinhas, aumenta o número de pontos na carteira e outros absurdos. Além disso, ainda temos as armas como carro-chefe. Tudo isso enquanto Bolsonaro continua sua sanha pelo fim da reserva de Tamoios em uma região dominada por milicianos, informação dada neste blog semana passada.

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Mês passado ele foi em uma feira de agronegócio (uma das maiores do mundo) e defendeu o quê? A legalização do assassinato no campo. Nada de investimento, modernização ou programas de obras públicas no campo, apenas a barbaridade como uma espécie de mercador da morte.

Isso quando não está provocando os militares ou louvando Olavo de Carvalho. Nesse ritmo, dou mais seis meses para que a segurança alimentar dos brasileiros passe a ser um ponto crítico também.

O governo ideológico de Jair Bolsonaro não consegue lidar com problemas fora da esfera ideológica. E a coisa se estende para outras áreas. A região Sudeste está prestes a deflagrar um surto de dengue e chikungunya, enquanto a família presidencial entra em guerra com o vice-presidente. Surreal!

Isso ainda acabará por matar muitas pessoas!

Enquanto isso, 13 milhões de brasileiros que não existem e não merecem a devida importância para o presidente, aos poucos mergulham na informalidade, agravando ainda mais a crise na Previdência.

Já nos foi prometido que a reforma trabalhista traria um mar de empregos. Falhou miseravelmente e apenas contribui para a precarização das relações trabalhistas. Agora, a desculpa é outra.

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Um verdadeiro jogo de batata quente, onde apenas os trabalhadores queimam as mãos, e o governo ainda lava as suas mãos. Durante sua viagem para Dallas, Bolsonaro disse: “Não vai ter emprego para todos”. Lavou as mãos e ainda disse que o desemprego no Brasil é culpa do despreparo dos trabalhadores. Uma forma de dizer aos desempregados: “se virem aí”, cheio de sofisma.

E como a cereja do bolo, ainda temos a segurança pública abandonada e, apesar de o governo negar diversas vezes, o ministro Onyx Lorenzoni deixou claro que a gestão Bolsonaro repassou a responsabilidade do Estado para as mãos dos cidadão, afirmando que o armamentismo civil seria uma espécie de diretriz dos direitos humanos.

No saldo geral, poderemos ter armas liberadas, trânsito caótico e um exército de desempregados… Já chamam o Brasil de futuro Mad Max.

Por fim, desafio você leitor a encontrar alguma declaração contundente, plano ou sinal de que resolver o desemprego seja um das prioridades do governo. Eu procurei e sei que não há. E vocês?

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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