23 de fevereiro de 2018, 17h24

General interventor do RJ bloqueia investigação de chacina no Salgueiro

Em novembro do ano passado, 7 pessoas foram mortas com tiros pelas costas em uma operação conjunta entre Exército e Polícia Civil; general se comprometeu a disponibilizar os depoimentos dos soldados ao Ministério Público mas, até agora, três meses depois, ainda não o fez

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nomeado como interventor federal na área de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o general Walter Souza Braga Netto está bloqueando as investigações de uma chacina na comunidade do Salgueiro que envolve militares. Em novembro do ano passado, 7 pessoas foram mortas com tiros pelas costas em uma operação conjunta entre a Polícia Civil e o Exército.

De acordo com a ONG Human Rights Watch Brasil, o Comando Militar do Leste, órgão responsável pela operação e que é chefiado por Braga Netto, se comprometeu logo após a chacina a disponibilizar os depoimentos dos militares envolvidos ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que está investigando o caso. Até agora, três meses depois, no entanto, nenhum depoimento foi disponibilizado.

“Em 28 de novembro, promotores públicos do estado compareceram a uma reunião sobre o caso com o general Walter Braga Netto, Chefe do Comando Militar do Leste. Um servidor público que acompanhou o encontro disse à Human Rights Watch que, imediatamente após o encontro, os promotores requisitaram uma cópia das declarações feitas pelos soldados que participaram da operação ao Exército e pediram para entrevistá-los. Os assessores de Braga Netto concordaram com o pedido, mas até o momento, três meses após o encontro, não encaminharam os documentos e nem disponibilizaram os soldados para as entrevistas”, diz um comunicado divulgado pela ONG nesta sexta-feira (23).

A diretora do escritório da Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Canineu, considerou a obstrução do general “mostra um flagrante desrespeito às autoridades civis”.

“Isso é um péssimo sinal para os cidadãos do Rio de Janeiro, considerando seu novo posto como chefe da segurança pública do estado”, disse Canineu à imprensa.

O Comando Militar do Lesta ainda não se manifestou sobre a denúncia.

Confira, aqui, a íntegra do comunicado da ONG sobre o caso.