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19 de dezembro de 2018, 08h04

Gilberto Kassab é alvo de operação de busca e apreensão da PF autorizada por Alexandre de Moraes

Segundo a PF, o objetivo da ação é “investigar o recebimento de vantagens indevidas” do grupo JBS, entre os anos de 2010 a 2016, pelo ministro de Temer e futuro secretário de João Doria.

Agência Brasil
Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação de Michel Temer (MDB) e futuro secretário da Casa Civil de João Doria (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) é alvo de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19). A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem origem no acordo de colaboração dos executivos da JBS. Ao todo, a PF cumpre 8 mandados de busca e apreensão. Além de Kassab, são cumpridos mandados relacionados ao governador do Rio Grande do Norte Robison Faria. Segundo a PF, o objetivo da ação é...

Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação de Michel Temer (MDB) e futuro secretário da Casa Civil de João Doria (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) é alvo de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19). A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem origem no acordo de colaboração dos executivos da JBS.

Ao todo, a PF cumpre 8 mandados de busca e apreensão. Além de Kassab, são cumpridos mandados relacionados ao governador do Rio Grande do Norte Robison Faria.

Segundo a PF, o objetivo da ação é “investigar o recebimento de vantagens indevidas”, entre os anos de 2010 a 2016, por parte de Kassab. Os repasses das empresas de Joesley e Wesley Batista teriam como objetivo garantir que Kassab defendesse os interesses do grupo.

R$ 58 milhões
A procuradora-geral da República Raquel Dodge afirma que Kassab recebeu R$ 58 milhões do grupo J&F, dono da JBS, com repasses feitos em duas situações distintas. Uma delas, diz a PGR, ocorreu entre 2010 e 2016, período em que o político teria recebido R$ 350 mil mensais, alcançando, ao todo R$ 30 milhões.

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“O objetivo dos pagamentos era contar com poder de influência do ministro em eventual demanda futura de interesse do referido grupo”, diz a PGR. Os repasses teriam sido feitos por meio de contratos falsos entre a J&F e uma empresa de prestação de serviços com uma empresa do ramo de transportes.

Na segunda ocasião, em 2014, cita a PGR, foram pagos R$ 28 milhões ao diretório Nacional do PSD, na época, presidido por Gilberto Kassab. O objetivo dos pagamentos era garantir o apoio do PSD ao PT na disputa presidencial de 2014. “Neste caso, o repasse foi operacionalizado por meio de doações oficiais de campanha e outros artifícios como a quitação de notas fiscais falsas. Também há registro da entrega de dinheiro em espécie”, diz a PGR.

Ex-homem forte
Atual ministro do STF, Alexandre de Moraes, que autorizou a ação, foi Secretário Municipal de Transportes de São Paulo da gestão de Gilberto Kassab, de 2007 a 2010, e Secretário Municipal de Serviços, cumulativamente, de 2009 a 2010. À época, que coincide com a data do início dos repasses investigados pela PF, Moraes era tido como o homem forte de Kassab na Prefeitura de São Paulo.

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Com informações do jornalista Fábio Serapião, do blog do Fausto Macedo, no jornal O Estado de São Paulo, e da Agência Brasil.

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