15 de junho de 2018, 07h43

Gilmar Mendes diz que Lava Jato ganhou “projeção exagerada e claramente indevida”

Ministro do STF criticou a superexposição dos juízes e promotores da Lava Jato e a atuação fora dos autos dos processos

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

No estilo morde e assopra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes voltou a criticar a Operação Lava Jato. Mendes concedeu entrevista na noite desta quinta-feira ao jornalista Roberto D’Ávila, na Globo News. Depois de iniciar a retórica com elogios, ele falou em “desaparecimento do Congresso Nacional” e classificou a dimensão alcançada pela força-tarefa como “exagerada e claramente indevida.

Mendes criticou a superexposição dos juízes e promotores da Lava Jato e a atuação fora dos autos dos processos. “Essa bem-sucedida Operação Lavaja Jato que é digna de elogios, de encômios, levou também ao desaparecimento da classe política, dos partidos políticos. Por isso, passou a ter uma lógica própria . A Lava Jato passou a propor medidas legais, a questionar medidas judiciais, a discutir aspectos que transcendem muito a sua própria competência, a sua atribuição”, disse.

Na avaliação do ministro, o enfraquecimento do poder político está diretamente ligado ao apoio popular consquistado pela Lava Jato. “Mas sobretudo, me parece que o desaparecimento do Congresso, com seu papel de contemporização, de moderação de enfrentamento muitas vezes, levou que essa organização, a operação Lava Jato ganhasse uma projeção exagerada e claramente indevida, mas ganhou também apoio popular”, declarou.