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08 de setembro de 2017, 15h30

Golpe: Cunha comprou votos de deputados que derrubaram Dilma, afirma delator

Segundo Lúcio Funaro, o ex-presidente da Câmara e o então vice-presidente Michel Temer “confabulavam diariamente” sobre o golpe contra a presidenta. Da Redação Em outra parte de sua delação premiada, o operador e doleiro Lúcio Funaro falou sobre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundou contou em depoimento, o ex-deputado e o então vice-presidente Michel Temer “confabulavam diariamente” desde o início da tramitação do pedido de impeachment que veio a derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Funaro disse ainda que, na véspera da votação em que a Câmara dos Deputados aprovou o processo contra Dilma, Cunha enviou uma mensagem a ele...

Segundo Lúcio Funaro, o ex-presidente da Câmara e o então vice-presidente Michel Temer “confabulavam diariamente” sobre o golpe contra a presidenta.

Da Redação

Em outra parte de sua delação premiada, o operador e doleiro Lúcio Funaro falou sobre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundou contou em depoimento, o ex-deputado e o então vice-presidente Michel Temer “confabulavam diariamente” desde o início da tramitação do pedido de impeachment que veio a derrubar a presidenta Dilma Rousseff.

Funaro disse ainda que, na véspera da votação em que a Câmara dos Deputados aprovou o processo contra Dilma, Cunha enviou uma mensagem a ele perguntando sobre a disponibilidade de recursos para comprar os votos necessários para que o Congresso aprovasse o impeachment. Sem outros detalhes, Funaro afirma que disponibilizou o dinheiro para tal finalidade.

Nesta mesma delação, Michel Temer é apontado como lobista e cobrador de repasses de caixa dois. Seria também um dos destinatários da propina vinda dos esquemas do ex-deputado Eduardo Cunha. O doleiro afirma que nunca conversou diretamente com Michel Temer sobre dinheiro, “pois essa interface era feita por Eduardo Cunha”, mas que era informado pelo ex-presidente da Câmara sobre as divisões desses repasses ilegais.

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Funaro garante que Temer “sempre soube” de todos os esquemas operados por Cunha. “Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões (de propina) com Temer”, declarou.

Michel Temer é protagonista de dois repasses de propina na delação de Lúcio Funaro. O primeiro deles é de R$ 1,5 milhão provenientes do grupo Bertin. O segundo, em 2014, saiu de um acerto com executivos da JBS.

Funaro conta ter intermediado um pagamento de R$ 7 milhões da JBS que tinha como destinatários Temer, Cunha e o ex-ministro da Agricultura, Antônio Andrade. O presidente também teria intermediado um pagamento de R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, à campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.

Documentos entregues à Polícia Federal comprovam o envolvimento de outros três importantes aliados de Michel Temer. Um deles é o amigo íntimo do presidente, Geddel Vieira Lima, preso novamente nesta sexta (8) pela PF, após encontrarem R$ 51 milhões em espécie em apartamento usado por ele. Outro é Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo.

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Moreira Franco, o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência, é o terceiro desta lista. Este, que hoje é o principal braço direito de Temer e o ministro mais poderoso do Planalto, recebeu mais de R$ 6 milhões em operação envolvendo os cofres da Caixa Econônica Federal e o grupo Bertin, em 2009, segundo conta o delator. Funaro afirma ainda que os três citados se envolveram em fraudes milionárias envolvendo o banco público.

Segundo o delator, Cunha contou a ele sobre uma medida provisória que beneficiaria a empresa Hypermarcas e, por isso, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, recebeu 1,5 milhão de reais em propina. Funaro relata que o recebimento do dinheiro foi mascarado por meio de notas fiscais da Confederal, empresa que pertence ao senador.

*com informações da Veja
Fotos: José Cruz/Agência Brasil e Roque de Sá/Agência Senado

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