14 de janeiro de 2019, 07h33

Governador do Rio, Witzel fecha exposição e censura performance com alusão à Ditadura

A performance previa a interação de artistas nus sobre a obra "A Voz do Ralo é a Voz de Deus", em que milhares de baratas de plástico se espalham por cima e ao redor de um bueiro instalado sobre azulejos. A inspiração para a obra foi um conto do escritor Rodrigo Santos que fala sobre a introdução de baratas na vagina de uma mulher torturada pela ditadura.

Reprodução
O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), ordenou o fechamento da exposição “Literatura Exposta” neste domingo (13), um dia antes do previsto, e proibiu a performance do coletivo de artistas “És Uma Maluca”, que faria referência à Ditadura Militar no Brasil, durante ato de encerramento da exposição. A mostra estava em cartaz na Casa França-Brasil, que pertence à Secretaria de Estado da Cultura do RJ, desde 4 de dezembro. A censura foi anunciada pelo curador da mostra, Álvaro Figueiredo, em post no Faceboook. “Exposta! Fecharam nossa exposição um dia antes da data oficial como forma de impedir que as performances...

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), ordenou o fechamento da exposição “Literatura Exposta” neste domingo (13), um dia antes do previsto, e proibiu a performance do coletivo de artistas “És Uma Maluca”, que faria referência à Ditadura Militar no Brasil, durante ato de encerramento da exposição. A mostra estava em cartaz na Casa França-Brasil, que pertence à Secretaria de Estado da Cultura do RJ, desde 4 de dezembro.

A censura foi anunciada pelo curador da mostra, Álvaro Figueiredo, em post no Faceboook. “Exposta! Fecharam nossa exposição um dia antes da data oficial como forma de impedir que as performances da finissage acontecessem. Comuniquei com antecedência o teor das performances à direção da Casa, foi autorizado e ontem à noite enviaram esse comunicado. Esse é o governo que temos. A arte vai sobreviver à censura”, disse Figueiredo, que publicou imagem do comunicado.

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O documento, recebido pelo curador, diz que Witzel mandou fechar a exposição porque as performances de encerramento não constavam no contrato.

A performance previa a interação de artistas nus sobre a obra “A Voz do Ralo é a Voz de Deus”, que já havia sofrido uma intervenção antes de ser aberta e chegou a ser vetada pelo diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak.

Na proposta original do coletivo És Uma Maluca, milhares de baratas de plástico se espalham por cima e ao redor de um bueiro instalado sobre azulejos, no piso da instituição. Do mesmo buraco também sairia a voz do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Chediak proibiu o uso dos discursos. Uma receita de bolo entrou em seu lugar.

Um conto do escritor Rodrigo Santos foi a inspiração para “A Voz do Ralo É a Voz de Deus”. O texto fala sobre uma mulher torturada durante a ditadura militar. Nas sessões de tortura, baratas eram introduzidas em sua vagina.

Pelas redes sociais, o coletivo lamentou o ato de censura do governador. “A situação é grave pois indica mais um atentado à produção simbólica e cultural, dentro de todo o contexto no qual entramos, há apenas duas semanas. Mais uma tentativa de silenciamento de vozes que provocam crítica e convidam à reflexão”.

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