12 de fevereiro de 2019, 08h36

‘Governar não é tuitar’: Estadão abre campanha em editorial para Mourão assumir

O jornal afirma que o país vive “indesejável paralisia administrativa em razão da prolongada internação do presidente Jair Bolsonaro”

Foto: Twitter
Em editorial, publicado nesta terça-feira (12), com o título ‘Governar não é tuitar’, o Estadão parte para cima do presidente Jair Bolsonaro e abre campanha direta para que o vice-presidente Hamilton Mourão assuma o cargo. O jornal afirma: “É preciso que haja alguém com autoridade constitucionalmente reconhecida no exercício do cargo para deliberar sobre os assuntos do governo e orientar os ministros. Do contrário, haverá indesejável paralisia administrativa – como a que o País assiste agora em razão da prolongada internação do presidente Jair Bolsonaro”, diz. Logo mais adiante, o Estadão diz não entender a razão de Bolsonaro reassumir “seu...

Em editorial, publicado nesta terça-feira (12), com o título ‘Governar não é tuitar’, o Estadão parte para cima do presidente Jair Bolsonaro e abre campanha direta para que o vice-presidente Hamilton Mourão assuma o cargo.

O jornal afirma: “É preciso que haja alguém com autoridade constitucionalmente reconhecida no exercício do cargo para deliberar sobre os assuntos do governo e orientar os ministros. Do contrário, haverá indesejável paralisia administrativa – como a que o País assiste agora em razão da prolongada internação do presidente Jair Bolsonaro”, diz.

Logo mais adiante, o Estadão diz não entender a razão de Bolsonaro reassumir “seu cargo apenas 48 horas depois de uma cirurgia de sete horas de duração, realizada no dia 28 de janeiro, para a reconstituição do intestino, atingido no atentado à faca que sofreu ainda na campanha eleitoral, em setembro do ano passado”, pondera.

O jornal considera claro que, “nessas circunstâncias, o vice Hamilton Mourão deveria ter assumido o cargo, pois há diversas decisões à espera do aval do presidente, como a formatação da reforma da Previdência, para ficar só na mais importante. No entanto, Bolsonaro optou por manter-se no cargo mesmo sem ter condições para isso”, afirma.

O Estadão lembra ainda que os filhos de Bolsonaro, “cuja opinião é determinante para o presidente, não se dão bem com o vice-presidente. O ruído entre eles ficou ainda mais acentuado quando Hamilton Mourão resolveu dar opiniões sobre temas caros aos Bolsonaros – disse, por exemplo, que era contra a mudança da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, uma promessa de campanha”, recorda.

O Estadão chama ainda a tenção para o fato do vice-presidente “construir uma boa relação com a imprensa, contra a qual os filhos de Bolsonaro dedicam grande virulência. Em resumo, a relação do entorno do presidente com Mourão é de desconfiança. Num país em que tantos vices assumiram o cargo de presidente por vacância, isso tende a alimentar todo tipo de especulação”, adverte.

O Estadão ainda chama a atenção para o fato de que “o governo hoje é exercido por alguém sem condições de saúde para tal, sofrendo influência direta e ampla dos filhos – que não receberam um único voto para presidente nem ocupam cargos de ministros. O exercício da Presidência pelo vice-presidente deve respeitar o que diz a Constituição, e não o que ditam os filhos do presidente. Não se trata de uma questão familiar, mas institucional”, afirma.

Ao final, de maneira virulenta, o jornal diz que “Bolsonaro precisa o quanto antes se dar conta de que não está mais em campanha, quando todos os problemas do País podiam ser ‘resolvidos’ por meio de slogans digitados em redes sociais, sob orientação dos filhos. Governar é muito diferente de tuitar: demanda presença, articulação, lucidez – isto é, tudo o que Bolsonaro, convalescente e a reboque dos filhos e dos aliados mais radicais, ainda não conseguiu oferecer ao País”, encerra.