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20 de Maio de 2016, 12h49

Governo Temer não perde tempo para apagar influência do PT, diz jornal The Guardian

Segundo publicação britânica, em uma semana de governo, Temer já começou a retroceder em políticas sociais, podendo afetar população mais pobre Por Opera Mundi Reportagem publicada no jornal britânico The Guardian nesta sexta-feira (20/05) afirma que, em sua primeira semana, o governo interino de Michel Temer já começou a retroceder em muitas das políticas sociais colocadas em prática […]

Segundo publicação britânica, em uma semana de governo, Temer já começou a retroceder em políticas sociais, podendo afetar população mais pobre

Por Opera Mundi

Reportagem publicada no jornal britânico The Guardian nesta sexta-feira (20/05) afirma que, em sua primeira semana, o governo interino de Michel Temer já começou a retroceder em muitas das políticas sociais colocadas em prática pelos governos do Partido dos Trabalhadores, em uma tentativa de “apagar” a influência da legenda.

De acordo com a reportagem, estão em movimento alterações para “suavizar” a definição de trabalho escravo, reverter demarcação de terras indígenas, cortar investimentos do Programa Minha Casa Minha Vida e privatizar aeroportos, Correios e outros serviços.

As medidas de austeridade, justificadas como necessárias pelo novo governo para recuperar a economia, são vistas por seus críticos como “um movimento em direção a uma política neoliberal da velha elite que depôs a presidente Dilma Rousseff”.

 

De acordo com o professor Renato Boschi, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, “nem mesmo [Mauricio] Macri [presidente da Argentina] é tão de direita quanto o governo Temer”.

A matéria diz que as mudanças têm levado a manifestações contra o governo no país e até no Festival de Cannes, na França, onde a equipe do filme “Aquarius” realizou um protesto na terça-feira (17/05).

De acordo com a publicação, apesar de Temer afirmar não ter interesse nas eleições de 2018, “ele está impedido de concorrer devido a violações em processos eleitorais anteriores – e ele é tão não apreciado que ele não teria uma chance de vencer nem que quisesse”.

A matéria argumenta também que, embora sejam necessárias mudanças para combater a recessão, os ajustes deverão piorar as condições dos trabalhadores mais vulneráveis, principalmente no ramo da agricultura e processamento de alimentos.

A reportagem diz que o novo ministro da Agricultura (Blairo Maggi), “um magnata da soja que é um dos homens mais ricos do Brasil”, já propôs uma legislação que exclui as condições degradantes de trabalho e jornada exaustiva como elementos definidores de trabalho análogo à escravidão. Além disso, ele faz parte do lobby de ruralistas que atua para mudar a política de demarcação de terras.

O jornal ainda lembra que, antes de ser afastada, Dilma assinou decreto destinando 56 mil de hectares para reforma agrária e territórios quilombolas, mas que assessores de Temer sinalizaram que os decretos podem ser revogados. Segundo a reportagem, muitos ambientalistas estavam insatisfeitos com o governo de Dilma, mas temem que a situação pode piorar com o novo governo.

Sobre o novo Ministério das Relações Exteriores, o Guardian diz que as alianças com governos de esquerda como Venezuela, Bolívia e Equador deverão ser “coisa do passado” — o novo chanceler, José Serra, afirmou em seu discurso de posse, que a diplomacia agora deverá refletir os interesses da economia e não mais “preferências ideológicas de um partido político e seus aliados estrangeiros”.

Mais “controversas”, segundo o jornal britânico, deverão ser as reduções de gastos sociais, ao citar a declaração do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, de que o governo não tem condições de arcar com o Sistema Único de Saúde.

“Em seu discurso inaugural, Temer prometeu manter os programas de bem-estar social e tem dito que os cortes não afetarão os pobres, mas seus ministros sugerem que esse pode não ser o caso”, diz a publicação.

De acordo com o jornal, “liberais econômicos estão em sua maioria contentes nessa primeira semana”, enquanto entre os setores de esquerda há “consternação”.