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19 de Março de 2018, 12h39

Gregório Duvivier: “Morte de Marielle Franco é consequência da intervenção”

“Despolitizar Marielle equivale a matá-la outra vez, e de uma maneira igualmente cruel”, disse ainda o colunista

Gregório Duvivier escreve artigo indignado na Folha desta segunda-feira (19), onde diz que a morte da vereadora Marielle Franco é “consequência da intervenção, logo não pode ser sua causa”.

“Pedir mais intervenção militar usando seu nome é ultrajá-la. Sua morte não antecede a intervenção. Sua morte é consequência da intervenção, logo não pode ser sua causa. Não podemos deixar Marielle morrer duas vezes.”

Duvivier lembra ainda o post falso que circulou no final de semana, compartilhado pelo MBL, envolvendo Marielle e o traficante Marcinho VP: “Não acharam nenhuma foto dela com bandidos, mas encontraram uma foto de uma mulher negra no colo de um homem, e disseram que era Marielle no colo de Marcinho VP.

“E a classe média, indignada com aquela morte absurda, até então sem explicação, respirou aliviada: ah, ela era mulher do Marcinho VP, ufa, tá explicado. A mulher da foto sequer se parece com ela, assim como o homem sequer se parece o Marcinho VP. Mas a mulher é negra, se não é ela, é sua prima. Muita gente aceitou.”

De acordo com Duvivier, “A postagem do MBL tem mais de 30 mil compartilhamentos em um dia –e não para de crescer. Multiplicam-se áudios vazados no WhatsApp –alguns supostamente da própria Marielle. ‘Isso é coisa do Comando Vermelho’, diz um suposto expert, explicando-se em seguida: ‘os bandidos usavam chinelo’. Elementar, meu caro WhatsApp”, ironiza.

Duvivier conclui: “Estão tentando despolitizar a morte de Marielle. Não bastasse matá-la, agora tentam diluí-la. Despolitizar Marielle equivale a matá-la outra vez, e de uma maneira igualmente cruel. Todos aqueles que responsabilizam, mesmo que indiretamente, Marielle pela sua execução têm as mãos sujas de sangue”.

“Mataram pra silenciar seu grito. Não funcionou. Sua voz ganhou o país inteiro. Foram buscar munição pesada. Não sossegam. Mesmo morta, continuam atirando sobre o seu corpo”, finalizou.