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04 de abril de 2019, 17h14

Grife de luxo Animale passa a integrar a nova ‘lista suja’ do trabalho escravo

Trabalhadores bolivianos foram resgatadoas em situação de trabalho análogo à escravidão em oficinas contratadas pela marca em São Paulo; eles cumpriam jornada superior a 12 horas por dia em ambiente insalubre e recebiam em média R$5 por peça confecionada, que são vendidas nas lojas por até R$70

Divulgação
A nova ‘lista suja’ do trabalho escravo, que antes era divulgada pelo extinto Ministério do Trabalho, foi divulgada nesta quarta-feira (3) pelo Ministério da Economia. Trata-se da primeira lista de empresas que foram flagradas submetendo seus trabalhadores a trabalhos análogos à escravidão divulgada pelo governo de Jair Bolsonaro. Na lista deste ano foram incluídos 48 novos empregadores, entre eles a grife de luxo Animale. O flagrante do trabalho escravo foi feito em 2017 pela ONG Repórter Brasil. Na ocasião, foram resgatados trabalhadores bolivianos em três oficinas da Animale e da A.Brand, ambas do Grupo Soma, em São Paulo. Eles cumpriam...

A nova ‘lista suja’ do trabalho escravo, que antes era divulgada pelo extinto Ministério do Trabalho, foi divulgada nesta quarta-feira (3) pelo Ministério da Economia. Trata-se da primeira lista de empresas que foram flagradas submetendo seus trabalhadores a trabalhos análogos à escravidão divulgada pelo governo de Jair Bolsonaro.

Na lista deste ano foram incluídos 48 novos empregadores, entre eles a grife de luxo Animale.

O flagrante do trabalho escravo foi feito em 2017 pela ONG Repórter Brasil. Na ocasião, foram resgatados trabalhadores bolivianos em três oficinas da Animale e da A.Brand, ambas do Grupo Soma, em São Paulo. Eles cumpriam jornada de mais de 12 horas diárias de trabalho em ambiente insalubre e recebiam, em média, R$5 por peça confeccionada, que eram vendidas por até R$700 nas lojas. Muitos deles moravam nas oficinas com os filhos, que viviam entre as máquinas de costura e os tecidos.

Em nota, a Animale informou que “a empresa não compactua com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção” e que o ocorrido foi “um caso isolado”.

Ao todo, de acordo com a ONG Repórter Brasil, 38 marcas de moda, incluindo a Animale, estão envolvidas com trabalho escravo no país.

Lista suja 

As empresas flagradas com trabalho escravo entram para a ‘lista suja’ do governo depois de serem autuadas e terem apresentado defesa. Ao não cumprir com seus compromissos com a Justiça, as empresas entram para a lista e lá permanecem por dois anos até serem colocadas em uma lista de “observação”.

As empresas só saem da “lista suja” após cumprirem todos os seus compromissos com a Justiça, como a adequação dos regimes de trabalho e pagamento de multas.

Confira a íntegra da “lista suja” do trabalho escravo de 2019 aqui.

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