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12 de abril de 2019, 07h08

Grupo de empresários ligado a Bolsonaro protocola pedido de impeachment de Gilmar Mendes

Grupo, que tem entre seus líderes Luciano Hang, da Havan, montaram escritório em Brasília para fazer lobby pela reforma da Previdência e contra instrumento do fisco de combate à sonegação; Flávio Rocha, da Riachuelo, nega que faça parte do grupo

Bolsonaro com Flávio Rocha e Luciano Hang, que querem impeachment de Gilmar Mendes (Reprodução)
O grupo de empresários que integra o chamado movimento Brasil 200, que tem entre seus líderes Luciano Hang, da Havan, protocolaram nesta quarta-feira (10) no Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Uma coordenadora do grupo, que abriu recentemente um escritório em Brasília para fazer lobby pela reforma da Previdência, foi a responsável por protocolar o documento de autoria de Sabrina Avozani, que escreve que Gilmar Mendes profere suas decisões com “parcialidade” e “atua em benefício de investigados e de partidos políticos”. “A conduta recente do ministro do Gilmar Mendes não é condizente...

O grupo de empresários que integra o chamado movimento Brasil 200, que tem entre seus líderes Luciano Hang, da Havan, protocolaram nesta quarta-feira (10) no Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Uma coordenadora do grupo, que abriu recentemente um escritório em Brasília para fazer lobby pela reforma da Previdência, foi a responsável por protocolar o documento de autoria de Sabrina Avozani, que escreve que Gilmar Mendes profere suas decisões com “parcialidade” e “atua em benefício de investigados e de partidos políticos”.

“A conduta recente do ministro do Gilmar Mendes não é condizente com o cargo”, diz Gabriel Kanner, que dirige o movimento Brasil 200.

Lobby, chantagem e sonegação
Reunidos com o ministro da Casa Civi, Onyx Lorenzoni (DEM/RS), e com a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL/RJ), no Planalto no último dia 26, o grupo iniciou chantagem para aprovação da reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro (PSL): não vai ter emprego se não sair a reforma, dizem.

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No almoço com Onyx e Joice, Hang apresentou uma lista de reivindicações do setor, criticou a Receita Federal e pediu o fim do E-Social, projeto do governo federal para unificar o envio de informações trabalhistas e previdenciárias, que tem como principal objetivo reduzir a sonegação de impostos.

“Eu entreguei lá, para o secretário, uma pauta para desburocratizar a nossa vida. E a primeira delas é acabar com o E-Social. E-Social é uma putaria do cacete. E isso está ligado com a Receita Federal”, disse Hang, que foi aplaudido euforicamente.

Além de Hang, fazem parte do grupo João Apolinário (Polishop), Sebastião Bonfim (Centauro), Washington Cinel (Gocil), Edgar Corona (Smart Fit) — todos apoiaram Bolsonaro na campanha eleitoral.

Flávio Rocha nega iniciativa 

A assessoria de imprensa de Flávio Rocha enviou à Fórum um posicionamento informando que o empresário não faz parte do grupo e que não apoia a iniciativa. À princípio, Rocha era citado nesta matéria como um dos idealizadores do pedido de impeachment de Gilmar Mendes.

“Flávio Rocha afirma que não subscreveu o apoio ao pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, e informa que ele não concorda com a iniciativa”, diz a nota.

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*Matéria atualizada em 13/04/2019, às 17h55, para acréscimo de informações 

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