06 de fevereiro de 2019, 15h48

Grupo feminino de samba-reggae Cores de Aidê explode em Florianópolis e ganha o Brasil

A força do samba-reggae e a ancestralidade feminina se fundem na obra sociopolítica do coletivo de Florianópolis

Foto: Toia Oliveira/Divulgação
Aidê é uma figura mitológica que aparece nos cânticos de capoeira do Brasil. Ela era uma negra africana que foi traficada no período escravocrata do país. Seu “senhorzinho” se apaixona por ela e lhe oferece a liberdade caso ela se case com ele. Aidê recusa e foge para o quilombo de Camugerê, onde encontra o amor verdadeiro. Foi esse lindo conto que inspirou a percussionista e regente Sarah Massí a criar o Cores de Aidê, que é considerado hoje o mais relevante grupo de difusão da cultura afro-brasileira do Sul do país. O grupo surgiu em Florianópolis (SC), no Carnaval...

Aidê é uma figura mitológica que aparece nos cânticos de capoeira do Brasil. Ela era uma negra africana que foi traficada no período escravocrata do país. Seu “senhorzinho” se apaixona por ela e lhe oferece a liberdade caso ela se case com ele. Aidê recusa e foge para o quilombo de Camugerê, onde encontra o amor verdadeiro.

Foi esse lindo conto que inspirou a percussionista e regente Sarah Massí a criar o Cores de Aidê, que é considerado hoje o mais relevante grupo de difusão da cultura afro-brasileira do Sul do país.

O grupo surgiu em Florianópolis (SC), no Carnaval de 2015. Foi o início do sonho de Sarah, que pretendia formar uma banda que agregasse mulheres diversas através da percussão, fazendo-as convergir na compreensão da potência artística e política do samba-reggae.

O Cores de Aidê lançou, em novembro do ano passado, o seu primeiro álbum “Quem é essa mulher?”.

O estilo, como o próprio nome já diz, é uma fusão do samba brasileiro com o reggae jamaicano, criado pelo baiano Neguinho do Samba no final da década de 70 e que tem o grupo Olodum como seu precursor. E o som do grupo nos remete diretamente aos primórdios do Olodum, onde as vozes eram acompanhadas apenas pelos instrumentos de percussão é nada mais.

Além do caráter afro que o estilo possui, sua retórica originalmente é política e social. E é dessa fonte que bebem as Cores de Aidê, cativas da luta negra contra a inglória e a disputa.

Sarah afirma que é “por meio da Aidê nos vemos representadas por não monetarizar nossos afetos, não capitalizar nossos valores e posicionamentos. Compreendemos que a liberdade está com as nossas e por meio da liberdade de todas e com todas”, conta.

Vale ouvir e dançar ao vigoroso som da banda: