09 de julho de 2018, 12h44

Guilherme Bittar: “Solto ou preso, vitória do Lula”

Qualquer advogado sabe que alvará de soltura tem efeito imediato e precisa ser cumprido incontinenti. Não existe esse manda desmanda que testemunhamos.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Por Guilherme Bittar*

Solto ou preso, vitória do Lula. O esforço descomunal de um juiz em férias para manter uma prisão, atropelando os ritos processuais e atuando de maneira orquestrada com o Ministério Público e seus colegas do TRF-4, torna estridente a parcialidade da Lava Jato.

Depois de tudo o que fizeram, sabia-se que não venderiam a soltura tão barato. Mas o que vimos hoje é algo extremamente grave. O Brasil virou um Estado sem lei. Qualquer advogado sabe que alvará de soltura tem efeito imediato e precisa ser cumprido incontinenti. Não existe esse manda desmanda que testemunhamos.

Ganhar tempo, como fez a PF sob orientação de Moro esperando reviravoltas favoráveis ao que a turma da Lava Jato pretendia, denuncia uma postura tendenciosa. De Moro, da PF e dos desembargadores que se esforçaram para cassar uma decisão de um outro desembargador, este, diferente dos demais, em pleno exercício de suas funções.

A mobilização da Lava Jato para impedir o cumprimento de uma decisão judicial fala por si sobre o que virou o processo contra Lula. A quem duvidava, aqui está a prova (nesse caso, sim, ela existe, e não é mera evidência) que se trata de um julgamento de exceção.

Se Lula ganha força, a justiça brasileira escancara o fosso em que se encontra, a partir do momento em que decidiu fazer política, deixando de lado a lei.

*Guilherme Bittar é jornalista