Imprensa livre e independente
07 de junho de 2014, 14h32

Hacker do FBI apoiou ações contra páginas do governo brasileiro em 2011 e 2012

Informante da agência de inteligência norte-americana foi o principal articulador do grupo virtual Anonymous durante ataques realizados a diversos órgãos públicos. Governo brasileiro não foi avisado Por Diego Sartorato, da Rede Brasil Atual Registros do mIRC, plataforma de chat utilizada por ativistas digitais para evitar o monitoramento de governos e agências de inteligência sobre suas trocas de mensagens, divulgados hoje com exclusividade pelo blog norte-americano Motherboard comprovam o envolvimento direto de um hacker cooptado pelo FBI (Escritório Federal de Inteligência do governo norte-americano, na sigla em inglês) na série de ataques promovidos pelo grupo virtual Anonymous entre 2011 e 2012 contra diversas...

Informante da agência de inteligência norte-americana foi o principal articulador do grupo virtual Anonymous durante ataques realizados a diversos órgãos públicos. Governo brasileiro não foi avisado

Por Diego Sartorato, da Rede Brasil Atual

Registros do mIRC, plataforma de chat utilizada por ativistas digitais para evitar o monitoramento de governos e agências de inteligência sobre suas trocas de mensagens, divulgados hoje com exclusividade pelo blog norte-americano Motherboard comprovam o envolvimento direto de um hacker cooptado pelo FBI (Escritório Federal de Inteligência do governo norte-americano, na sigla em inglês) na série de ataques promovidos pelo grupo virtual Anonymous entre 2011 e 2012 contra diversas páginas oficiais do governo brasileiro.

Hector Xavier Monsegur, hacker norte-americano conhecido na rede pelo apelido Sabu, foi preso em meados de 2011 pelo FBI, mas seguiu ajudando a organizar ataques virtuais sob a tutela da agência norte-americana até março de 2012, quando sua condição de informante foi revelada, e seus colaboradores norte-americanos, presos. Nesse período, foi o mentor dos ataques promovidos por representantes brasileiros do Anonymous, coletivo de ativistas virtuais anônimos, por meio da disponibilização de senhas de acesso para diversas páginas oficiais brasileiras.

Veja também:  Zé Dirceu e outros presos da Lava Jato dormem em colchões espalhados no chão de antiga enfermaria

Entre os sites que Sabu ajudou a invadir e derrubar estão o da Presidência da República, o portal Brasil.gov.br e o site da Polícia Militar do Distrito Federal, entre outros. Em abril de 2012, o site da Rede Globo também foi alvo do grupo de hackers organizado por Sabu.

O FBI acompanhou todas as ações, inclusive planos para derrubar sua própria página na internet, o que ocorreu em março de 2012. A agência de inteligência gravou e guardou todas as páginas de trocas de mensagens entre Sabu e os hackers brasileiros, inclusive informações sobre como invadir domínios do governo brasileiro, um ano antes de o ex-analista da CIA (Agência Central de Inteligência do governo estadunidense, na sigla em inglês) Edward Snowden revelar que o governo americano mantinha espionagem sobre celulares e e-mails das embaixadas brasileiras, da Petrobras e da própria presidenta Dilma Rousseff. O governo brasileiro não foi informado sobre a investigação do FBI ou as informações reunidas pela agência.

Após os ataques, o governo de Dilma Rousseff (PT) apressou a aprovação do Marco Civil da Internet, que dificultou a colaboração de empresas com os esforços de espionagem dos Estados Unidos sobre governos de outros países. O projeto original incluía até a obrigatoriedade de que os servidores com dados de usuários brasileiros tivessem de ser obrigatoriamente instalados no Brasil, mas a proposta não passou pelo Congresso Nacional, que atendeu a pedidos das empresas para evitar os custos de instalação das estruturas e a interrupção de serviços no país enquanto as adequações não fossem feitas.

Veja também:  Manifestações começam pelo Twitter na semana em que Bolsonaro pretende ir ao Nordeste

O Anonymous, grupo descentralizado sem organização fixa, serve como “fachada” para diversos ciberativistas que se dizem apartidários e apolíticos, e que militam pelo direito à privacidade de informações de usuários da internet, ao mesmo tempo em que lutam pela democratização da informação pública por meio da internet, em especial arquivos sigilosos de governos e de grandes corporações. O caráter horizontalizado do grupo, no entanto, permite a “infiltração” de agentes que não necessariamente perseguem os objetivos pregados pelo Anonymous em escala global.

Em março deste ano, o Anonymous BR, que reúne os hackers brasileiros alinhados com o coletivo, sofreu uma dissidência justamente por conta da “infiltração” de agentes políticos no grupo: um manifesto assinado pelo agrupamento de Curitiba do Anonymous acusou o Anonymous BR de ser instrumento de partidos de direita, que estariam tomando os símbolos e técnicas do grupo para insuflar movimentos exclusivamente contra governos petistas, e em especial o da presidenta Dilma. Pela filosofia anarquista do grupo, governos de todos os partidos brasileiros deveriam ser alvo do Anonymous, acusaram os militantes, que abandonaram o codinome.

Veja também:  Johnson, Siemens, GE e Philips são investigadas pelo FBI por pagamento de propina no Brasil

Crédito da foto de capa: Anonymous BR

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum