04 de outubro de 2018, 21h19

Haddad, Ciro e Alckmin acionam a Justiça para impedir entrevista ilegal de Bolsonaro

De acordo com advogados ouvidos pela Fórum, ao entrevistar Bolsonaro no mesmo dia de um debate presidencial e privilegiar a entrevista de apenas um candidato, a Record, que é uma concessão pública, estaria praticando abuso de poder, o que poderia configurar crime eleitoral

Foto: Reprodução

De acordo com a coluna ‘Painel’, da Folha de S. Paulo, os candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) entraram com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no início da noite desta quinta-feira (4), para impedir que a Record veicule entrevista gravada com Jair Bolsonaro (PSL) na noite de hoje, no mesmo horário do debate entre presidenciáveis da Globo.

Bolsonaro informou que não participaria do debate por recomendação médica, mas gravou uma entrevista para a Record. Advogados ouvidos pela Fórum garantiram que, ao entrevistar apenas um candidato, a emissora pratica abuso de poder econômico, o que poderia configurar crime eleitoral. A lei eleitoral prevê que concessões públicas, como é o caso da Record, mantenham a isonomia e dê aos candidatos igual espaço e tratamento em sua programação. Na última semana, o dono da emissora, o bispo Edir Macedo, sinalizou apoio ao candidato Bolsonaro.

A petição do PT encaminhada ao TSE vai nessa linha: “Apesar de Jair Bolsonaro se negar a debater com seus adversários, pretende se utilizar do tempo de uma empresa concessionária de serviços públicos para, de forma privilegiada, expor ao público tudo aquilo que pensa”, escreveram os advogados do partido.

A entrevista de Bolsonaro deve ir ao ar, pela Record, a partir das 21h45. O debate na Globo tem início previsto para as 22h.