09 de outubro de 2018, 15h35

Haddad precisa apresentar um modelo democrático de combate à corrupção

Uma medida para combater a corrupção (e que dificilmente será proposta pela direita) é a democracia direta. Grande parte da corrupção ocorre no processo de votação de leis no Congresso, onde são propostas questões que beneficiam empresas

Haddad. Foto: Reprodução

Haddad deve deixar claro medidas para combater a corrupção. Destacar que Lula foi preso pela polícia de Temer, pela mesma Justiça que liberou Aécio Neves, Jucá e o próprio Temer. É uma Justiça em conluio com o mercado que visa impedir uma solução popular para a crise econômica, salvando, assim, as grandes fortunas e os políticos que coadunam com esse projeto.

Contudo, uma medida para combater a corrupção (e que dificilmente será proposta pela direita) é a democracia direta. Grande parte da corrupção ocorre no processo de votação de leis no Congresso, onde são propostas questões que beneficiam empresas. Se as leis que envolvem interesses comerciais decisivos fossem levadas à plebiscito, a corrupção seria menor.

Muitos vão dizer que o PT não possui envergadura moral para falar sobre corrupção. Por isso, deve dar ao povo o poder de acabar com a ela. Não dependerá de nenhum político, apenas do cidadão. Quem argumentar contra a fiscalização do povo é porque é medroso e possui rabo preso. E é fato que nenhum candidato tem uma proposta para combater a corrupção.

Por exemplo, poderia haver um novo plebiscito sobre o desarmamento, outro sobre a legalização das drogas, talvez um sobre que tipo de Reforma da Previdência deveria ser aprovada (com uma proposta mais à direita disputando com uma mais à esquerda) etc. O povo, dessa maneira, seria o principal combatente contra a corrupção. Assim, o aliciamento, as propinas oferecidas pelas empresas de armas ou as interessadas nas drogas, etc., teriam mais dificuldades para encontrar um alvo para corromper. Além disso, despertaria no povo o interesse em discutir abertamente essas questões polêmicas.

Sairíamos da manipulável opinião pública para algo mais consciente, talvez, discursos políticos populares, baseados na visão de mundo a partir de baixo.

O candidato do PSL já foi acusado, denunciado por ocultar patrimônio, receber propina e, agora, tem o apoio de diversos políticos corruptos. Um político que nunca combateu a corrupção e que se alia a corruptos para vencer a qualquer custo, não é garantia de honestidade. Não há proposta clara de combate à corrupção. Aliás, qual é a proposta de Bolsonaro para combater a corrupção? Não há uma metodologia, apenas promessa. Fica o dito pelo não dito, como fez Collor. Precisamos de um projeto escrito e não de uma relação baseada na confiança, pois, se me permitem citar Jeremias 17:5, “maldito é o homem que confia no homem”.

Sem uma proposta cristalina para combater a corrupção, Haddad colocará as chances de vencer em risco. O povo só pensa política por meio do conceito de corrupção. E isso precisa ser trabalhado.

A democracia direta também seria a melhor maneira para governar em um Congresso dominado pelas bancadas da bala, da bíblia e do boi. Pensando como o republicano Robert do tempo da Revolução Francesa, “o princípio de toda liberdade é o poder de fazer a lei”. É preciso convidar o povo a talhar os mandamentos e não esperar que caiam do céu.

Outra coisa é ressaltar as semelhanças entre Temer e Bolsonaro. Qual a diferença entre o projeto econômico de Temer e o apresentado por Guedes? É a mesma proposta econômica de Temer de “sangrar na carne” que, por sua vez, intensificou a crise. Privatizações, cortes de direitos, congelamentos de gastos na educação e saúde, aumento de impostos…. Na verdade, coloca-se uma figura populista para se continuar a fazer a mesma coisa. Essa política econômica é a mesma que Dilma se recusou a adotar, e foi destituída por causa disso. Paulo Guedes não inventou nenhum plano econômico, ele apenas copiou e colou da agenda nefasta de Temer.

Essa semana o mercado teve um orgasmo com o resultado das urnas, ele está louco para começar a comprar os votos dos deputados e senadores que se elegeram. A corrupção irá se refestelar como pinto no lixo. Lógico, até porque a corrupção parte de quem tem dinheiro para corromper, e se quem tem dinheiro para corromper está no cio, o óvulo do Congresso está em plena fertilidade, pronto para receber a semente da corrupção, iniciando a partir daí um novo ciclo de rapinagem que deve durar por mais 4 anos.