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18 de janeiro de 2019, 14h52

Haddad: “Reestabelecer o ambiente democrático na Venezuela será mais difícil se houver intervenção militar”

"Acredito que o Governo Maduro tem uma parte de responsabilidade. É evidente que não há por parte da oposição um enorme compromisso. Seria ingenuidade imaginar que a oposição não tem seus interesses, inclusive de buscar um status quo anterior, que era o da Venezuela como um quintal cheio de petróleo para os americanos", disse o petista.

(Foto: Ricardo Stuckert)
Em entrevista a Naiara Galarraga Gortázar e Gil Alessi, na edição desta sexta-feira (18) do El País, Fernando Haddad (PT) disse que o PT teria que ter trabalhado mais a questão da “consciência política” durante os 14 anos que esteve na Presidência do Brasil – para que o avanço objetivo fosse acompanhado de um avanço subjetivo -, que Lula será sempre ouvido e expressou preocupação com o alinhamento de Jair Bolsonaro (PSL) à postura intervencionista dos Estados Unidos em relação à Venezuela. “A obsessão do PT é buscar um caminho no qual possamos restabelecer o ambiente democrático na Venezuela. Que...

Em entrevista a Naiara Galarraga Gortázar e Gil Alessi, na edição desta sexta-feira (18) do El País, Fernando Haddad (PT) disse que o PT teria que ter trabalhado mais a questão da “consciência política” durante os 14 anos que esteve na Presidência do Brasil – para que o avanço objetivo fosse acompanhado de um avanço subjetivo -, que Lula será sempre ouvido e expressou preocupação com o alinhamento de Jair Bolsonaro (PSL) à postura intervencionista dos Estados Unidos em relação à Venezuela.

“A obsessão do PT é buscar um caminho no qual possamos restabelecer o ambiente democrático na Venezuela. Que está difícil. Não é uma tarefa fácil. Mas pode se tornar mais difícil ainda se houver uma intervenção militar”, disse.

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Para Haddad, o ambiente na Venezuela não é democrático, porque tanto situação quanto oposição não reconhecem os processos. “Veja quantas consultas foram feitas nos últimos três anos ao povo venezuelano, nenhum resultado foi considerado legítimo”.

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“Acredito que o Governo Maduro tem uma parte de responsabilidade. É evidente que não há por parte da oposição um enorme compromisso. Seria ingenuidade imaginar que a oposição não tem seus interesses, inclusive de buscar um status quo anterior, que era o da Venezuela como um quintal cheio de petróleo para os americanos”, afirmou, lembrando que “se não fosse a mediação pessoal do Lula durante seu Governo, já teria ocorrido uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela”.

Ressaltando a importância do alinhamento das forças do campo progressista na oposição, Haddad disse que o ex-presidente é um ativo do PT – em razão do processo político pelo qual está passando – e que sempre será ouvido.

“Se tivessem apresentado uma prova que tivesse convencido o partido de que realmente houve uma falha, um crime, e que sendo ele cidadão brasileiro teria que responder por aquilo, acho que nós teríamos lamentado, mas teríamos seguido adiante. Mas não foi o que aconteceu. Eu me envolvi pessoalmente com o processo do tríplex e lhe asseguro: ele não se sustenta. Não há prova cabal, como aconteceu com os outros que estão presos. Com eles está lá: conta no exterior, dinheiro na mala, diálogo gravado… Então, sim, ele é um ativo”.

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Para Haddad, durante os anos em que o PT esteve no governo, teria de ter trabalhado a consciência política da população. “O avanço material tem quer vir acompanhado de um avanço espiritual. Essas coisas tem que vir juntas para que o processo se consolide. Espiritual não no sentido religioso, mas no sentido ético, de valores”.

Durante esses anos, em um processo natural, o PT teria se afastado das bases com a absorção dos quadros do partido pela máquina pública, que deu espaço para a ação de grupos, como as igrejas evangélicas.

“O sucesso eleitoral do PT enfraqueceu o próprio partido em sua conexão com as bases. O outro fenômeno é a crise política, ética, e econômica que aconteceu. E a outra questão é que há novos atores no Brasil. Por exemplo, as igrejas evangélicas tinham um tamanho quando ganhamos em 2002, e têm outro tamanho agora. E nós não aprendemos a dialogar com a base dessa igreja, muito menos com os líderes, que são em geral bastante conservadores”, disse.

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Leia a entrevista completa no site do El País.

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