Blog do Rovai

20 de janeiro de 2019, 12h53

Haddad seria presidente se caso Coaf tivesse vindo à tona na campanha

O judiciário e o MP interferiram diretamente no resultado das últimas eleições e isso deveria ser fruto de uma investigação no legislativo

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A eleição de Bolsonaro se torna a cada dia que passa mais ilegítima. Ele venceu sem ir a debates mesmo no segundo turno, quando isso é quase uma exigência em qualquer país democrático. E só pôde fazer isso porque foi protegido por autoridades da justiça e pelo governo Temer.

Fabrício Queiroz e sua filha foram exonerados dos seus cargos nos gabinetes de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro. Ou seja, no meio do segundo turno. A família não tomou a atitude à toa. Tinha ciência do relatório do Coaf e das movimentações criminosas que haviam sido feitas nas contas do assessor e dos Bolsonaros. Se naqueles dias, as denúncias que vieram à tona no dia 9 de dezembro tivessem surgido, Bolsonaro não teria tido como fugir dos debates e perderia a eleição.

Fórum terá um jornalista em Brasília em 2019. Será que você pode nos ajudar nisso? Clique aqui e saiba mais

Pode parecer uma suposição exagerada, mas em eleição funciona assim. Alguns fatos mudam totalmente a dinâmica da disputa.

Veja também:  Guerra comercial entre EUA e China tem mais um capítulo

Foi o que aconteceu com a facada no mito. Antes dela, Bolsonaro tinha 22% dos votos. Alckmin já estava perto dos dois dígitos e partia para cima do candidato do PSL. Seus ataques começavam a surtir efeito. Uma propaganda em que um homem falava frases que Jair Bolsonaro tinha dito para Maria do Rosário à sua parceira numa mesa de restaurante tinha sido muito bem avaliada nas qualis e já preocupava os marqueteiros do mito que está virando palmito. Nos debates, Bolsonaro não era bem avaliado e perdia pontos. Aí veio a facada e ele teve 46% dos votos no primeiro turno.

Com esses dados de lavagem de dinheiro vindo à tona no segundo turno, Bolsonaro teria de deixar o lugar de bela adormecida e precisaria vir a público se explicar. De 15 de outubro em diante este tema catalisaria os debates nas ruas e nas redes e quanto mais se soubesse do assunto, mais votos ele perderia. E num segundo turno, votos perdidos são votos do adversário.

Veja também:  Garoto-propaganda da reforma da Previdência, Ratinho vai entrevistar Bolsonaro

Em resumo, ao esconder a investigação, o MP e o governo Temer elegeram Bolsonaro. E se associaram à tragédia que o país está vivendo.

Ao mesmo tempo naquela eleição, entre outras coisas, Moro e os lavajateiros deram um jeito de vazar a delação de Palocci, também vazaram delação contra Eduardo Paes, o que favoreceu Witzel, e prenderam no meio da campanha o ex-governador Beto Richa, do PSDB. O que fez com que o candidato de Moro ao Senado fosse eleito.

Ou seja, o judiciário e o MP interferiram diretamente no resultado das últimas eleições e isso deveria ser fruto de uma investigação no legislativo. Não vai acontecer, infelizmente, porque muitos que se elegeram foram beneficiados por isso. Mas a história ainda vai ser contada. E muito mais se saberá dessa eleição que foi uma das mais vergonhosas da história do Brasil.

Agora que você chegou ao final deste texto e viu a importância da Fórum, que tal apoiar a criação da sucursal de Brasília? Clique aqui e saiba mais

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum