31 de julho de 2018, 12h24

Helio Bicudo, de defensor dos direitos humanos na ditadura a defensor do Golpe contra Dilma

Jurista morreu nesta terça (31), aos 96 anos, em decorrência do agravamento de problemas cardíacos

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O jurista e político Helio Bicudo morreu na manhã desta terça-feira (31), aos 96 anos, em decorrência de problemas cardíacos. Professor de Direito no Largo de São Francisco, Bicudo foi militante da causa dos direitos humanos desde os anos 70, e ficou conhecido por lutar contra o chamado Esquadrão da Morte, que agia em São Paulo. Em sua carreira passou pela Procuradoria Geral em São Paulo, foi presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e, entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito paulistano na gestão de Marta Suplicy.

Apesar de se alinhar no passado com o campo progressista, umas das últimas atividades públicas do jurista foi participar das manifestações contra Dilma Rousseff, além de preparar, ao lado de Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, a peça que embasou o pedido de impeachment da ex-presidenta.

Bicudo também foi deputado federal por dois mandatos seguidos (nos anos de 1991 a 1999) e ministro da Fazenda no governo de João Goulart (1963). Foi filiado ao PT desde a fundação do partido, mas se desligou em 2005, após o Mensalão. A partir daí, se tornou um crítico ferrenho do partido.

Longa trajetória

Natural de Mogi das Cruzes, em São Paulo, Helio Pereira Bicudo teve uma longa trajetória no Direito. Começou a cursar a Faculdade de Direito de São Paulo em 1942, em paralelo com o início de suas atividades profissionais em um escritório de advocacia.

Ocupou os cargos de promotor e procurador da Justiça. Em 1959, foi nomeado chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, na administração de Carvalho Pinto (1959-1963). Em 1963, ainda no cargo, o jurista foi convidado para ser ministro interino da Fazenda do governo de João Goulart.

Depois de combater o Esquadrão da Morte nos anos 70, Bicudo ajudou a fundar o PT em 1980, sendo o primeiro-vice-presidente paulista do partido. Em 1996, se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Atuou nos três poderes do Estado, além da imprensa, publicando artigos em inúmeros jornais durante sua carreira. Católico fervoroso, era dono de opiniões controversas: contra o aborto e o casamento homossexual.