01 de outubro de 2018, 23h14

Historinhas que não têm nada a ver

Eleições, eleições, eleições... Certo, é o assunto do momento. Mas a gente precisa de um refresco

Eleições, eleições, eleições… Certo, é o assunto do momento. Mas a gente precisa de um refresco. Ver gente com formação universitária optando pelo coiso me dá engulhos, não dá nem para comentar. As eleições deste ano tornaram-se um tema gerador de mal-estar. Se for ficar ruminando sobre o tema, lá se vai o humor, lá se vai a saúde…

Sem me alienar, mas querendo um pouco de alívio, pensei: vamos mudar de assunto por uns momentos? Resolvi variar, falar umas bobagens. Tem até uma de política, mas de outros tempos. Ah, e dou motivo para falarem mal de mim.

Beber é perigoso?

Maneiras diferentes de ver as coisas: segundo foi divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em setembro de 2018, uma em cada vinte mortes no mundo são causadas pelo consumo de álcool. Então, 19 em cada 20 mortes não têm nada a ver com o consumo de álcool.

Há alguns anos, numa viagem com amigos, vimos uma placa informando que 30% dos acidentes nas estradas se deviam ao consumo de álcool pelos motoristas. A mulher de um amigo começou a querer fazer um discurso sobre isso, contra a bebida, e eu disse: “70% dos acidentes nas estradas tiveram motoristas que não beberam nada de álcool”.

Babaquice… Quem nunca cometeu?

As tais “mídias sociais” servem, às vezes, para desmoralizar certas pessoas. E para se autodesmoralizar. Muita gente acha o máximo colocar nelas alguma bobagem, imbecilidade ou até crime cometido. Há pessoas que achávamos convivíveis e nelas vemos se revelarem fascistas. E tem cara que se exibe cheirando cocaína ou mostrando uma metralhadora…

Durante a Copa de 2018, um grupo postou um vídeo feito na Rússia, fazendo uma moça cantar uma coisa que ela não sabia o que era. E era pura sacanagem. Mas fazer isso é coisa comum no Brasil. Muitos brasileiros gostam de sacanear ensinando estrangeiros a falar. Podem, por exemplo, mostrar a cara e falar “bunda”. A diferença é que agora extrapolam humilhando as pessoas diante do mundo todo, via internet.

Não vou fingir que nunca fiz essas bobagens de ensinar coisas erradas a estrangeiros. Faz muito tempo, mas fiz. Uns amigos e eu conversávamos com umas francesas em Pernambuco e elas estavam fascinadas pelas frutas da região. Perguntaram qual era a fruta mais gostosa que tinha lá e um amigo respondeu: “Xibiu”. A coisa esticou um pouco até contarmos o real significado da palavra, mas não vou contar tudo aqui (nada com a gravidade dos babacas que foram à Rússia). Só que não deixamos ir longe demais.

E isso não se restringe a pessoas “comuns”. Gente poderosa ou famosa também faz essas coisas. Lembro-me de uma piada de que no tempo em que Nicolau era czar da Rússia e chegou lá um novo embaixador brasileiro. Nos primeiros dias em São Petesburgo, teve uma recepção do czar a todos embaixadores. Fez-se uma fila de embaixadores para cumprimentar o czar, cada um acompanhado de um intérprete. O embaixador fazia um cumprimento em sua língua e o intérprete traduzia. O embaixador brasileiro não podia deixar de fazer uma gracinha, obrigando o intérprete a inventar qualquer coisa. Na sua vez, falou ao czar:

— Quer mingau, Nicolau?

O que ele não sabia era que o czar sabia português, e respondeu:

— Só se for de araruta, seu filho da puta!

Xingando o chefe

Trabalhando no escritório de uma grande empresa, um dia apareceu um gerente novo. Trocaram o gerente antigo por um que agora chegava cheio de empáfia, autoritário. Era odiado. Um colega me disse que um outro, o Orlando, tinha mandado esse gerente pra puta que pariu. Perguntei ao Orlando se era verdade e ele respondeu:

— Não foi bem assim. Só dei a entender…

Não sei o que é dar a entender que é pro fulano ir pra puta que pariu.

A gasolina está cara… e ruim!

Um amigo, quando criança, morava numa pequena favela onde hoje é a avenida Marginal do rio Pinheiros. Às vezes praticava uns pequenos roubos. Tomava gasolina pra ficar muito louco. Tornou-se um adulto honesto. Há muitos anos, eu fazia uma matéria sobre cheirar cola, hábito que tinha se tornado moda entre meninos que se tornaram trombadinhas, e ele me disse que experimentou tomar gasolina de novo para relembrar a antiga sensação, mas não gostou:

— A gasolina piorou muito de qualidade, não dá mais pra beber…

O beberrão e o global

Numa eleição para governador de Minas, os dois candidatos mais fortes eram Hélio Garcia, que tinha fama de bêbado, e Hélio Costa, um repórter da TV Globo.

Waldemar, amigo que morava em Belo Horizonte, me falou sobre os dois Hélios:

— É o Tim-tim contra o Plim-plim.

Pedagogia radical

Estávamos em cinco pessoas no meu fusca velho, indo almoçar num restaurante meio distante, na região de Santo Amaro. Havia um atalho passando por dentro de uma favelinha, e fui por ele. De repente, uma bola apareceu no meio da rua e, atrás dela, um menino correndo. Foi o tempo de frear e o carro chegou a quase encostar nele, que com o susto ficou como que paralisado no meio da rua. Pus a cabeça pra fora e gritei:

— Ô, fedorento, quer sujar meu pneu de sangue?

Dois dos ocupantes do carro quiseram ficar bravos comigo, mas dei uma desculpa e eles aceitaram:

— Pô, se eu falo “coitadinho” e não sei o que mais, ele continua fazendo isso, achando que todo mundo vai brecar pra ele. Com esse xingamento, aposto que ele vai se lembrar sempre de olhar se vem carro antes de sair correndo pra rua.

Crime sexual?

Chico, meu amigo, tinha uma cabana no alto da Mantiqueira, perto de Itajubá. Estávamos, ambos, de namorada nova e fomos pra lá, dois casais.

Tinha um monte de galinhas no quintal. Ele havia levado pra fazer parte do rebanho galináceo um galo e quatro galinhas da raça garnisé. Pra quem não sabe, é uma espécie de galinha anã, bem pequenininha. Algum bicho do mato comeu as galinhas, sobrou o galo sozinho, que foi ficando tarado, porque não havia galinhas pra ele. As outras eram altas, e ele ficava tentando o dia inteiro traçar alguma delas. Corria, pulava em cima da galinha e levava a bunda pra baixo, pra tentar trepar com ela, mas acabava caindo de costas, sem consumar o ato.

Fiquei com pena do garnisé e, ela primeira (e única) vez na vida, pensei em colaborar com um estupro. Propus ao Chico que um de nós pegasse uma galinha e a segurasse e o outro segurasse o galinho em cima dela na posição certa pra que ele matasse a saudade de uma trepadinha. O Chico não topou.