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05 de Maio de 2014, 20h03

Hitler: o principal “aliado” dos EUA

Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA usam da mesma tática de demonização de seus "inimigos da vez", comparando-os com líder nazista

Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA usam da mesma tática de demonização de seus “inimigos da vez”, comparando-os com líder nazista

Por Redação

Se existe uma fórmula que é praticamente infalível para os sucessivos governos norte-americanos na formação da opinião pública mundial, para o lado dos EUA, é chamar o inimigo da vez de “novo Hitler”.

Se Hillary Clinton comparou Putin com Hitler; John Kerry também o fez com Assad; John McCain com Raúl Castro; George W. Bush com Saddam Hussein e Donald Rumsfeld com o presidente Hugo Chávez, da Venezuela.

O professor norueguês Floyd Rudmin seguiu com a lista de “Hitlers” na visão dos EUA: Allende (Chile), Noriega (Panamá), Ortega (Nicarágua), Milosevic (Sérvia), Arafat (Palestina), Qaddafi (Libia), Ahmadinejad (Irã), and Kim (Coreia do Norte). O que torna Putin apenas o “Hitler do momento”.

No entanto, como o escritor Vicenç Navarro bem apontou, “classificar o presidente da Rússia como Hitler já alcança nível recorde, mostrando o grau de ignorância e de insensibilidade dos EUA, pois foram a Rússia e as outras repúblicas da União Soviética que derrotaram Hitler. Ao contrário do que Hollywood mostrou, as tropas nazistas foram derrotadas predominantemente pelas tropas da União Soviética e não pelas dos Estados Unidos”.

A campanha de desinformação e propaganda dos EUA e seus aliados no entanto não se limita apenas à “hitlerização” de Putin – ela tem tem alcançado níveis extremos de falta de comprometimento com a verdade e omissão dos fatos . O renomado jornalista Robert Parry, por exemplo, acusou o The New York Times de “deturpar sistematicamente a informação sobre os acontecimentos na Ucrânia” e cita a tragédia desse final de semana em Odessa,  que tirou a vida de mais de 40 pessoas em um incêndio criminoso após manifestantes contra o governo de Kiev terem se refugiado no prédio da Casa dos Sindicatos, tentando escapar de uma armadilha promovida pelos ultra-nacionalistas do Setor Direita. O jornal sequer mencionou isso no seu artigo, deixando sem explicação quem foi queimado vivo dentro do prédio e quem fez os partidários da federalização ficar por trás.

No vídeo abaixo ainda é possível ver que os sobreviventes ainda foram agredidos pelos grupos de extrema direita. Todavia, essa parte da notícia falhou em alcançar as manchetes na mídia ocidental, da mesma maneira que a comparação de Putin com Hitler deixa para trás – convenientemente – o fato dos rivais ucranianos do líder russo, serem assumidamente neonazistas.