Andrea Caldas

política e educação

27 de janeiro de 2019, 09h50

Home schooling é a pauta do “salve-se quem puder”

Educação domiciliar é só para quem pode pagar preceptores. Para os pobres, restará o Estado mínimo, a Educação mínima, a Saúde mínima, a Segurança mínima

Foto: Agência Brasil

A grande pauta da educação do novo governo foi anunciada, não pelo Ministério da Educação, mas pela nova ministra do recém-criado Ministério da Família.

É a pauta do Estado mínimo para a educação.

O Estado sai e entra a família.

Fórum precisa ter um jornalista em Brasília em 2019. Será que você pode nos ajudar nisso? Clique aqui e saiba mais

O Brasil demorou a incorporar a pauta da educação como questão nacional.

Durante quase 200 anos de colonização e um império subjugado, a legislação nacional descuidou da educação – ao contrário de outros países vizinhos.

Foi com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1930, que a questão da educação para todos teve relevo no Brasil.

A Revolução Francesa e o liberalismo europeu já a anunciavam, há mais de cem anos atrás.

O capitalismo emergente enunciava que a educação nacional deve ser provida pelo Estado.

Porque é preciso formar cidadãos (e não cidadões) e produtores.

No Brasil, de capitalismo dependente, contudo, a equação foi outra.

A Constituição de 37, do Estado Novo getulista, falava do dever precípuo da família e do dever suplementar do Estado.

Veja também:  Venezuela: “Um golpe contínuo”

É quase isto mas, menos que isto, que o governo Bolsonaro anuncia pela voz de Damares de seu projeto de educação.

A home schooling tem uma forte raiz nos grupos fundamentalistas religiosos dos EUA (por isto o apelo ao nome em inglês).

Mas, curiosamente, também, agrega simpatias em um certo campo da esquerda alternativista.

Em comum, o combate ao Estado.

Em comum, o sentimento de que a educação dos “meus filhos” deve seguir os meus preceitos e não o das necessidades sociais.

É como aquele pai no shopping que pagou pelo passe da recreação e diz que seu filho vai ficar com o carrinho o tempo que quiser.

O home schooling é o primado do individualismo sobre o coletivo.

Mas, que fique claro – e a Ministra Damares já declarou – o Estado não vai financiar isto.

Educação domiciliar é só para quem pode pagar preceptores (como nos tempos do Império).

Educação domiciliar não é para pobre.

Para os pobres, restará o Estado mínimo, a Educação mínima, a Saúde mínima, a Segurança mínima.

Veja também:  Bolsonaro sobre estudantes que protestam: "são uns idiotas úteis, uns imbecis"

Home schooling é a versão educacional do “cada um com uma arma na mão”.

É o darwinismo educacional explícito.

Agora que você chegou ao final desse texto e viu a importância da Fórum, que tal apoiar a criação da sucursal de Brasília? Clique aqui e saiba mais