18 de setembro de 2018, 07h50

Homem é morto pela PM no Rio. Moradores acusam policiais de confundirem guarda-chuva com fuzil

Rodrigo levou três tiros: um no peito, um no quadril e o outro na perna, e já chegou sem vida ao hospital

Rodrigo com a mulher e o filho. Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, de 26 anos foi morto à queima roupa, na noite desta segunda-feira (17), durante ação da PM no Chapéu-Mangueira, no Leme, Zona Sul do Rio. Moradores da favela desconfiam que os policiais da UPP Chapéu-Mangueira teriam confundido um guarda-chuva que a vítima segurava no momento em que foi atingida com um fuzil.

A viúva de Rodrigo, que pediu para não ser identificada, disse que ele estava “numa fase feliz da vida”, pois tinha acabado de conseguir um emprego, depois de 6 meses desempregado. Segundo ela, ele trabalhava como vigia em um bar no Leme. Era casado há 7 anos e tinha dois filhos, um de 4 anos e outro de 10 meses.

“Não sei como vou contar para meu filho de 4 anos que o pai morreu. Estávamos tão felizes, preparando a festinha de 1 ano do nosso menino mais novo”, disse a mulher de Rodrigo, que ainda acrescentou: “A gente já queria deixar a comunidade desde que um policial do Bope atirou, sem motivo, na direção da nossa casa, às 7h da manhã. Eu tinha acabado de levantar meu filho para ir à escola. A marca da bala ainda está la na janela”, disse.

Foto compartilhada no Facebook por morador

De acordo com relato de familiares, Rodrigo estava aguardando a mulher, encostado em um carro e com o canguru no colo, quando policiais chegaram atirando. O local onde ele foi atingido tem pouca iluminação. Rodrigo levou três tiros: um no peito, um no quadril e o outro na perna, e já chegou sem vida ao hospital.

“A mulher dele estava subindo a favela numa Kombi, com seus dois filhos. Ele estava esperando a mulher num ponto de ônibus, com um canguru, para poder botar o filho menor, e o guarda-chuva, apoiado num táxi. Os policiais subiram atirando porque confundiram o guarda-chuva com uma arma. Ele foi levado para o hospital, mas não resistiu”, disse uma moradora, que pediu para não ser identificada.

Segundo a Polícia Militar, uma guarnição do Grupamento Tático de Polícia de Proximidade (GTPP) foi atacada quando passava pela localidade do Bar do Davi. Os PMs revidaram e atingiram Rodrigo e Jonatas.

Rodrigo foi condenado a sete anos de prisão por roubo, em 2014, e estava em liberdade condicional desde 2016. Ele também respondia a um processo por tráfico de drogas. Segundo moradores da favela, ele foi atingido por três tiros no alto da favela, próximo ao Bar do David.

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