Andrea Caldas

política e educação

20 de abril de 2019, 08h35

“Homeschooling” é cortina de fumaça ou é sinal?

Em sua coluna na Fórum, a pesquisadora Andrea Caldas fala sobre a falta de estratégia do governo Bolsonaro para o Ministério da Educação,

A ministra Damares Alves é uma das principais defensoras do “homeschooling” - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Perto do quinquênio do Plano Nacional de Educação, sem cumprir uma meta sequer, o governo Bolsonaro terceiriza a pauta da Educação para o recém-criado Ministério da Família e decreta que educação é responsabilidade de quem pariu.

O ministro da Educação é um dos cargos mais estratégicos de qualquer governo. Seja pela sua relação com a Economia, seja porque a pasta tem um dos maiores fundos públicos geridos pelo Estado.

Ocorre que o presidente eleito não tem nenhum plano para esta pauta estratégica. Tanto assim que o MEC é o ministério que teve mais deposições do que posses. Há mais tuítes que publicações no Diário Oficial.

A pauta da Educação se expressa no Ministério – recém-criado – da Famiglia! E de lá emanam – tal qual do Império Romano – as diretrizes educacionais.

Substituímos a meritocracia do esforço econômico – tão cara ao Mercado – por outra: a meritocracia devocional.

Famiglias que não usam métodos de anticoncepção e defendem este autoexílio como forma de viver.

Isto veio a lume com o governo Bolsonaro. Mas seu espelho reverso está na esquerda também.

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A esquerda alternativista que escolhe “onde o mundo é bom” para criar seus filhos é “homeschooling”.

A esquerda autoritária que define rótulos e uniformes é “homeschooling”.

O MST quando contesta a eleição para diretores de escola é “homeschooling”.

E se encontram com os fundamentalistas religiosos que advogam o direito de educar acima do Estado Laico.

Temos um lugar de encontro entre fundamentalistas de cada lado. Ele se expressa pela negação do Estado, e no fundo e ao final, é a negação da nação e de seu conceito.

Vejamos alguns exemplos:

Negar a escolaridade obrigatória desde os quatro anos. Sim, há movimentos sérios e progressistas que contestam.

Eu sou daquelas que advogam e avocam sempre a autoridade estatal. Talvez, por dever de ofício. Talvez, porque acreditei no Estado.

Mas, um pecado não tenho: eu não acendo uma vela aqui e outra acolá.

Critiquei o “homeschooling” na esquerda e na direita.

Porque o mundo isolado sempre se encontra.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.