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07 de junho de 2010, 15h22

Honda-China: greve termina com vitória

Trabalhadores tiveram de enfrentar o patronato e também o sindicato oficial, atrelado ao Partido Comunista, cujos membros, na semana passada, chegaram a agredir os grevistas para que voltassem ao trabalho

Trabalhadores tiveram de enfrentar o patronato e também o sindicato oficial, atrelado ao Partido Comunista, cujos membros, na semana passada, chegaram a agredir os grevistas para que voltassem ao trabalho Por Tomi Mori, de Tóquio Acabou na sexta-feira a greve dos 1.900 trabalhadores da fábrica de transmissões de automóveis da Honda na cidade de Foshan, no sudeste da China. Até esse dia, a greve, que durou três semanas, continuava parcial, com o setor mais radicalizado se negando a voltar ao trabalho. Mesmo o setor que havia voltado antes continuava a negociar outras reivindicações, ameaçando voltar à greve caso estas não fossem atendidas. No...

Trabalhadores tiveram de enfrentar o patronato e também o sindicato oficial, atrelado ao Partido Comunista, cujos membros, na semana passada, chegaram a agredir os grevistas para que voltassem ao trabalho

Por Tomi Mori, de Tóquio

Acabou na sexta-feira a greve dos 1.900 trabalhadores da fábrica de transmissões de automóveis da Honda na cidade de Foshan, no sudeste da China. Até esse dia, a greve, que durou três semanas, continuava parcial, com o setor mais radicalizado se negando a voltar ao trabalho. Mesmo o setor que havia voltado antes continuava a negociar outras reivindicações, ameaçando voltar à greve caso estas não fossem atendidas.

No geral, os funcionários obtiveram um aumento de 24% nos salários. Além disso, parecem ter conquistado parte das demais reivindicações, mas a Honda não fez nenhum comunicado oficial sobre as ultimas negociações e não há como contatar os trabalhadores para saber o verdadeiro resultado.

A greve fez com que durante alguns dias as demais fábricas da Honda na China ficassem paradas por falta das peças produzidas nessa unidade.

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Para conseguir a vitória, os trabalhadores tiveram de enfrentar o patronato e também o sindicato oficial, atrelado ao Partido Comunista, cujos membros, na semana passada, chegaram a agredir os grevistas para que voltassem ao trabalho.

E, como nenhuma greve ocorre sem um mínimo de organização, eles tiveram de, à sua maneira, se articular de forma independente para conseguir a vitória. É exatamente esse ponto, a organização independente, que foi a principal característica e que dá importância especial a esta greve. A luta da maior população de trabalhadores do planeta, que é a da China, necessita de uma forma independente de organização e isso foi mais do que demonstrado durante estas três semanas.

Além de conseguir uma vitória para os trabalhadores da empresa, a greve tem também obrigado as empresas que exploram a mão-de-obra chinesa a rever a sua forma de pagamento, extrapolando assim a luta isolada.

É importante ressaltar que a luta ocorreu num momento particular da economia chinesa, que parece estar em um impasse com relação ao futuro. Depois de anos de crescimento impulsionado pela super-exploração da barata mão-de-obra, com a produção voltada para o mercado mundial, a China parece ter chegado ao ápice desse modelo econômico. Voltar-se para o mercado interno é a outra opção, ou parte dela. Mas aí a burocracia dirigente esbarra com um problema técnico: a China tem a maior população de pobres do planeta, com uma capacidade de consumo bem baixa. Apesar de desigual para as camadas altas, que surgiram nesses últimos anos, mas que ainda compõem a minoria.

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Pode ser que a complacência com que o Partido Comunista observou esta greve possa significar que a burocracia esteja disposta a sacrificar um pouco o lucro das empresas instaladas no país, para poder estimular o consumo interno. Se for assim, são manobras em todo caso perigosas para a burocracia governante, já que pode levar a uma ascensão sindical inusitada.

Muito se tem falado que o aumento dos salários chineses pode afugentar as multinacionais do país; se, por um lado, já tem sido assim há algum tempo, por outro, elas não podem levar as fábricas embora de um dia para o outro. E é nessa estreita margem que a burocracia pode querer manobrar. Seria uma espécie de vender o almoço para poder comprar o jantar…

Por Esquerda. net.

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